+Filmes

Poema de “Before Sunrise”

“Desilusão do sonhar acordado
Cílios de Limousine
Ah, querida, com seu lindo rosto
Derrame uma lágrima no meu copo de vinho
Olhe para esses grandes olhos
Veja o que significa para mim
Bolos e milks hakes
Sou um anjo desiludido, sou um desfile de fantasias
Quero que saiba o que penso, não quero que adivinhe mais
Você não sabe de onde eu vim
Nós não sabemos para onde vamos
Jogados na vida como afluentes de um rio
Flutuando rio abaixo, pegos pela corrente
Eu te levo
Você me levará
É como poderia ser
Você não me conhece?
Não me conhece até agora?”

+Filmes · Crônicas

Pai e Filho

(Meu mais recente texto para o blog da Immagine. Link aqui.)

Filmes de super-heróis estão cada vez mais presentes nas salas de cinema. Desde histórias que contam suas origens, a inserção deles em meio à sociedade, até as super-alianças com outros heróis combatendo forças megalomaníacas que ameaçam acabar com o planeta. Tem espaço para tudo. Só o Homem-Aranha, meu preferido da Marvel, está em três “universos” diferentes. O Batman, meu favorito de todos, idem. Mas eu gostaria mesmo é de falar sobre David Dunn, o herói “humano” de “Corpo Fechado”.

Digo “humano” porque é assim que ele nos é apresentado. Em “Corpo Fechado”, David é o único sobrevivente de um trágico acidente de trem. Além disso, ele passa ileso pelo acontecimento, sem um arranhão sequer. A partir daí, com a “ajuda” de seu futuro arquiinimigo, Mr. Glass, ele começa a descobrir e entender seus poderes sobrenaturais e o tamanho da responsabilidade que isso o traz. Só que antes de todo esse desdobramento, o protagonista da história nos é apresentado como um ser humano comum. Um homem cujo casamento está por um fio e está triste a todo tempo. Seu semblante é de derrota na maior parte das cenas. Sua postura, cabisbaixa, como se um peso habitasse seus ombros.

Diante desse fator humano/social, o que muito me chamou atenção foi o seu relacionamento com Joseph, seu filho, o que parece ser seu único conforto. E que não deixa de ser um conforto também para o menino, já que ele vive em meio à tensão do relacionamento dos pais. No primeiro encontro entre David (acompanhado pelo garoto) e Mr. Glass, por exemplo, onde a teoria de que ele seria um super-herói é apresentada, Joseph fica maravilhado com a possiblidade. Tanto que o menino leva a sério as explicações de Mr. Glass, enquanto David se mantém totalmente desacreditado (por enquanto).

Uma cena mais adiante reforça esse encantamento do garoto pelo pai: a cena dos exercícios.

David acaba de chegar do trabalho e é recebido pelo filho, que abandona os amigos para acompanhar o pai nos seus exercícios de rotina. O garoto é o responsável por colocar os pesos na barra para que ele possa levantar. Diante da possibilidade de ser realmente um super-herói, David pede a Joseph que ele coloque mais peso. Ele consegue levantar, e pede para que o menino coloque mais. A situação se repete mais algumas vezes, até o espanto de ambos: sem mais pesos para serem acrescentados à barra, eles improvisam algumas latas de tinta amarradas na mesma. Cerca de 250 quilos. E David as levanta, enquanto sua descrença começa a se desfazer.

A partir daí, não cabe a mim desenrolar todos os acontecimentos, mas considerando somente a relação entre pai e filho, preciso citar esse momento: a descoberta do garoto.

Após David realizar a sua primeira investida como um super-herói de verdade, a notícia de seu feito corre pela cidade feito vento. Os jornais a estampam em suas páginas. Em pleno café da manhã, David mostra uma dessas páginas ao filho, que, muito emocionado, não contém as lágrimas. David pede para que ele não reaja e o garoto obedece. Porém, não havia mais volta: a partir de agora, David Dunn era realmente um super-herói e tinha uma responsabilidade.

Mas vejo por outro ponto: desde o início do filme, Joseph já o via como tal, desde quando ele era aquele homem cabisbaixo e entristecido. Assim como, creio eu, a maioria dos filhos consideram os seus pais. Como heróis.

“Corpo Fechado” foi lançado na virada do milênio, em 2000. Foi escrito, dirigido e produzido por M. Night Shyamalan, sucedendo “O Sexto Sentido”. Ele faz parte de uma trilogia composta por “Fragmentado”, lançado em 2016 e “Glass”, cujo lançamento está marcado para o próximo ano.

+Filmes

Monólogo de “A Ghost Story”

“O escritor escreve o livro. O compositor escreve a música. O sinfonista escreve a sinfonia, o que pode ser o melhor exemplo porque as melhores foram escritas para Deus. Então, me diz o que acontece quando Beethoven está escrevendo a 9ª Sinfonia e, de repente, acorda um dia, e percebe que Deus não existe. De repente, todas as notas, acordes e harmonias que tinham a intenção de transcender a carne, você percebe que “são parte da física”. Então Beethoven diz:

– Caramba, Deus não existe, então acho que escrevo para outras pessoas. São apenas porcas e parafusos agora”.

Ele não teve filhos, não que eu me lembre. Mas tiremos o amor da equação e desenrolemos isso sob o pensamento: “é assim que se lembrarão de mim”. E eles lembraram. E nós lembramos. E, com certeza, fazemos o possível para perdurar. Construímos nosso legado e talvez o mundo todo se lembre ou, talvez, apenas algumas pessoas, mas fazemos o possível para continuarmos depois de partirmos.

Então ainda lemos esse livro, ainda cantamos essa música; as crianças se lembram dos pais e dos avós e todos têm sua árvore genealógica, e Beethoven tem sua sinfonia, e nós também. E todos continuarão ouvindo no futuro próximo. Mas é aí que as coisas começam a desmoronar. Porque seus filhos… Seus filhos vão morrer. Os seus também. E os seus também. Só estou dizendo. Todos morrerão, e os filhos deles também e assim por diante.

E então haverá uma grande mudança tectônica. Yosemite explodirá e as placas ocidentais mudarão, os oceanos subirão, as montanhas cairão e 90% da humanidade desaparecerá. Uma queda precipitada. É apenas ciência. Quem sobrar, irá para as partes altas e a ordem social acabará, e regrediremos a caçadores e necrófagos e coletores, mas talvez sobre alguém… Alguém que um dia cantarole uma melodia que costumava ouvir.

E isso dará a todos um pouco de esperança.

A humanidade chega à beira do fim, mas consegue seguir porque alguém ouve outro alguém cantarolar uma melodia numa caverna, e a física disso no ouvido deles os faz sentir algo além de medo ou fome ou ódio. E a humanidade prossegue e a civilização retorna. E agora você está pensando que terminará o livro. Mas não vai durar. Porque, aos poucos, o planeta vai morrer. Em alguns bilhões de anos o Sol se tornará gigante e eventualmente engolirá a Terra. Isso é fato.

Talvez até lá tenhamos nos estabelecido em outro planeta. Bom para nós. Talvez descubramos um jeito de carregar conosco tudo o que importa. Conseguem uma cópia da Mona Lisa, alguém vê e mistura poeira alienígena com cuspe, pinta algo novo e as coisas prosseguem. Mas nem isso importará. Mesmo que alguma forma de humanidade carregue uma gravação da 9ª Sinfonia de Beethoven até o futuro, o futuro atingirá uma parede.

O universo continuará expandindo e eventualmente levará toda a matéria com ele. Tudo pelo que lutou, tudo o que você e algum estranho do outro lado do planeta compartilharam com um estranho do futuro num planeta diferente, sem nem saber, tudo o que te fez sentir grande ou poderoso, tudo acabará.

Todo átomo nesta dimensão será destruído por uma força simples… E todas essas partículas retalhadas se contrairão novamente e o universo vai se juntar numa mancha pequena demais para notarmos.

Então, pode escrever um livro… Mas as páginas queimarão. Pode cantar uma música e passar adiante. Pode escrever uma peça esperando que alguém lembre e continue apresentando. Pode construir sua casa dos sonhos… mas no final nada importará mais do que enfiar a mão na terra para colocar uma cerca. Ou transar.

Acho que seria quase a mesma coisa.”

 

+Filmes

+3 Filmes

Mais um final de semana “regado” a filmes passou e faço questão de indicá-los a quem ler esse texto.

Começando com “Ensaio Sobre A Cegueira”, lançado em 2008 e dirigido por Fernando Meirelles. Baseado na obra-prima de José Saramago, o filme se mantém fiel ao livro, apesar de se perder um pouco nos minutos finais. Bom entretenimento.

No domingo, foram dois torpedos em sequência que ainda não digeri completamente: “Um Dia de Fúria”, de 1993, e “O Sexto Sentido”, lançado em 1999.

O primeiro, dirigido por Joel Schumacher, nos apresenta um Michael Douglas em altíssimo nível interpretando um cidadão literalmente em um dia de fúria, tentando atravessar a cidade à pé para chegar ao aniversário da filha. No meio do caminho, várias situações acontecem e acabam agravando ainda mais o estado de nervos do protagonista.

Depois do baque de “Um Dia de Fúria”, fiquei ainda mais tocado com “O Sexto Sentido”, o já considerado clássico moderno dirigido e escrito por M. Night Shyamalan. Com um roteiro ESPETACULAR e uma construção que nos prende a todos os instantes e a todos os detalhes, a trama vai se desenrolando e ficando cada vez mais instigante com o passar dos minutos. O final surpreendente (apesar de ser possível “sacá-lo” antes) fecha com chave de ouro esse que já é um dos melhores filmes que assisti em 2017.

Até a próxima!