Garimpo · Música

Garimpo: Inches to Infinity

Tem um canal no Youtube que eu adoro, chamado Worldhaspostrock. É um dos maiores e melhores acervos de post-rock na plataforma, com vários discos e playlists para ouvir, sem falar que o canal ficou tão grande que algumas bandas lançam seus trabalhos em primeira mão direto por ele.

Tento ouvir o máximo que posso, principalmente as novas postagens, mas não tem como, é muito material. Mas teve um em específico que atingiu o meu emocional em cheio, um projeto chamado Inches to Infinity, e a canção de nome “These Bones Have Life”.

Na página deles no Bandcamp, a descrição é perfeita:

“Pintando quadros com música, algumas vezes sem palavras.”

São nove canções ao todo, todas no esquema pague o quanto quiser. E as artes visuais são maravilhosas, um aspecto fundamental que engrandece a experiência de ouvir.

Deixo abaixo aquela que citei acima e que me deu arrepios, “These Bones Have Life”.

Quarta Parede · Traduções

Akira Kurosawa sobre Roteiro

“O que mais me estressa nos diretores aspirantes que batem à minha porta é isso:

‘É muito caro fazer um filme nos dias de hoje e é difícil virar um diretor.’

É preciso aprender e experimentar várias coisas para se tornar um diretor e não é tão fácil de se conseguir. Mas se você realmente quer fazer filmes, então escreva roteiros. Tudo o que você precisa é papel e lápis. Somente ao escrever roteiros se aprende aspectos da estrutura do filme e o que é o cinema.

Isso é o que os digo, mas eles ainda assim, não escrevem. Acham difícil demais. E é. Escrever roteiros é um trabalho árduo. Porém… Balzac disse para escritores e também para novelistas, que o mais essencial e necessário é a paciência ao encarar a chatice de escrever uma palavra por vez. Essa é a primeira exigência para qualquer escritor. Quando você analisa a obra de Balzac com isso em mente, é ainda mais impressionante, porque ele produziu um volume de trabalhos que não seríamos capazes de terminar de ler durante nossas vidas. Sabe como ele os escreveu? É interessante. Ele os rabiscava e enviava para a impressão logo em seguida. Uma página era impressa em uma folha de papel enorme. Quando recebia de volta as páginas impressas, ele fazia revisões na margem, até restar bem pouco do escrito original. Depois, enviava essas revisões para a impressão. É uma ótima forma de trabalhar, apesar de ser meio difícil para o tipógrafo. Ele era capaz de produzir bastante por causa desse método. Esse pode até ter sido o ingrediente, mas o mais essencial foi ter a paciência de escrever uma palavra por vez até chegar ao tamanho que queria.”

Direto do Forno · Música

Wax Chattels – No Ties (Single)

A Wax Chattels é uma banda da Nova Zelândia que prepara o lançamento de seu segundo disco de estúdio, Clot, para o final de setembro desse ano, através do selo Captured Tracks.

A banda faz um post-punk agitado e raivoso, bem resumido em “No Ties”, o primeiro single desse novo trabalho. São dois minutos de porrada, o tipo de música que não rodeia e vai direto ao ponto, na mira certa onde quer chegar.

Por ser um trio, o charme vai um pouco além, pois para fazer um petardo desse com apenas uma guitarra, baixo e bateria, é porque seus integrantes são competentes.

 

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – Haircut Sphinx (Single)

Já vi texto de gente virando a cara, já vi gente que se empolga às alturas (faço parte desse grupo), mas fato é que a cada novo lançamento do Guided By Voices, o universo da música direciona sua atenção à gangue de Robert Pollard, ainda mais agora que os caras estão prestes a lançar o seu TRIGÉSIMO disco.

Mirrored Aztec chega no final de agosto, no dia 25, e já conta com um single disponível: “Haircut Sphinx”, um rockzinho dançante com pouco mais de dois minutos que você encontra aos montes no catálogo do grupo. Além disso, a capa do disco é uma das mais bonitas que a banda já teve.

Confira abaixo.

Direto do Forno · Música

Thurston Moore – Cantaloupe (Single)

A primeira coisa que veio à minha mente quando ouvi os primeiros segundos de “Cantaloupe”, do Thurston Moore, foi a lembrança de alguns hits noventistas do Sonic Youth, principalmente “Sugar Kane”.

“Ah, mas é óbvio, Moore era um dos integrantes da banda”, você pode pensar, mas mesmo assim, foi inevitável.

Fato é que a guitarra desse camarada é irresistível e “Cantaloupe” é uma canção potente, agressiva e cool na medida certa. Ela é mais um single de By The Fire, o próximo disco solo do Thurston Moore, que sai no dia 25 de setembro desse ano.

Diversos · Língua Presa · Quarta Parede

Poema de “Spartacus”

“Quando o sol ardente se opõe no horizonte oeste,
Quando o vento das montanhas se acalma,
Quando o canto do sabiá-do-campo cessa,
Quando os gafanhotos do campo não crepitam,
Quando a espuma do mar descansa como uma donzela
e o crepúsculo toca o contorno da terra suspensa,
Volto para casa.

Por sombras azuis e florestas púrpuras,
Volto para casa.

Volto ao lugar onde nasci.
À mãe que me deu à luz e ao pai que me ensinou
Há muito, muito tempo,
Muito tempo.

Agora, só.
Perdido e sozinho num mundo distante e vasto.

Ainda assim, quando o sol ardente baixa,
Quando o vento se acalma e a espuma do mar dorme
E o crepúsculo toca o contorno da terra,
Volto para casa.”

Direto do Forno · Música

O Novo do Brant Bjork: Brant Bjork

Lobão falou uma coisa interessante em sua entrevista mais recente no Roda Viva, da TV Cultura: disse que o rock está em seu melhor momento, e vertentes como o stoner e o post-rock estão a todo vapor. Se for parar para analisar, faz todo o sentido, principalmente se levarmos em conta somente o stoner rock. Quase toda semana um disco é lançado, seja de uma banda iniciante ou alguma já na estrada há tempos. E por incrível e exagerado que possa parecer, a maior parte desses novos trabalhos é de qualidade.

Se tem um cara que contribui e muito para manter essa cena ativa, é Brant Bjork, considerado um dos padrinhos do estilo e um dos artistas mais prolíficos que conheço. Bjork não descansa, tá sempre produzindo e lançando álbuns, e pouco mais de um ano após seu último lançamento, Jacoozzi, ele tira da cartola mais um disco, que dessa vez, leva seu nome.

Toda vez que paro para pensar sobre o termo stoner rock, vem à mente uma infinidade de riffs pesados e lentos, que parecem anunciar um desastre natural, mas com Brant Bjork a coisa é diferente. Ele eleva o termo para algo mais sutil, ritmado e dançante, ou seja, ele transforma aquilo que ajudou a criar em algo novo, como uma busca constante em se renovar.

Com um recheio de rock do deserto mesclado com o funk à la Funkadelic e algumas boas pitadas de jazz, Brant Bjork possui oito faixas ao todo, sendo a última um achado acústico que fecha o disco da mesma forma que começou: com tranquilidade. Em nenhum instante o álbum acelera ou aumenta de tom e a experiência em ouvi-lo é melhor se for feita em um momento de silêncio.

1. Jungle In The Sound
2. Mary (You’re Such A Lady)
3. Jesus Was A Bluesman
4. Cleaning Out The Ashtray
5. Duke Of Dynamite
6. Shitkickin’ Now
7. Stardust & Diamond Eyes
8. Been So Long

Crônicas · Língua Presa · Música

Hoje Dancei Ouvindo Ride

Something Else, do The Brian Jonestown Massacre, foi um dos vários álbuns que ouvi hoje durante o dia. E no Spotify é o seguinte: quando um disco acaba, começa a tocar aquilo que o programa chama de rádio, que é um compilado aleatório de músicas que se parecem com o que acabou de ser reproduzido. É uma ferramenta interessante para descobrir bandas e artistas novos.

A rádio do Something Else tinha, em sua maioria, artistas de música psicodélica, como o Spiritualized e o Oh Sees. Só que teve uma em específico que quando começou a tocar, não acreditei. Meus braços arrepiaram-se por inteiro e pensei que havia entrado em uma máquina do tempo. “Dreams Burn Down”, do Ride.

Quando o shoegaze entrou na minha vida, eu estava naqueles momentos de personalidade vulnerável, ainda sendo moldado sob as próprias influências. Nowhere, do Ride, foi um dos grandes discos que abriram as portas para que eu adentrasse nesse universo de guitarras dissonantes, etéreas e barulhentas.

Voltando ao tempo presente, era final de tarde e estava encerrando o expediente (home office) quando “Dreams Burn Down” começou a tocar. Peguei um cigarro, acendi e coloquei o volume da caixa de som quase no máximo, fazendo com que a bateria SENSACIONAL do início da música quase trincasse a janela da sala. No quintal, meus dois cachorros ouviram o barulho da porta sendo aberta e vieram ver o que eu estava fazendo. A música, que eu não ouvia há uns bons anos, levou-me a dançar com eles durante todo o seu decorrer. Para minha surpresa, até a letra eu ainda sabia cantar.

Quase chorei em certo momento. Foi como se ela tivesse se transformado em correntes de ar e entrado em meu organismo, tomando conta de minhas emoções.

Foi como expurgar parte de demônios que ainda vivem dentro de mim.

Direto do Forno · Música

Lenny Pistol – (Still Losing) The Control (Single)

O vídeo de “(Still Losing) The Control)”, single mais recente do Lenny Pistol, é uma viagem. O filtro de VHS somado à colagens e cores púrpuras são ótimos complementos à música, levada por uma guitarrinha psicodélica e a voz preguiçosa e charmosa de Lenny. A letra parece narrar um sonho ou, melhor ainda, um passeio lisérgico.

Lenny Pistol é um dos artistas que mais gostei de conhecer nos últimos anos. Original, ele usa suas referências para passear entre o pop e o indie, sem parecer “comercial” (não gosto desse termo, mas ok) demais, e nem tão underground assim. Escrevi sobre o EP de estreia dele aqui.

Se vem um disco novo em breve, ainda não foi anunciado. Mas “(Still Losing) The Control)” seria o anúncio ideal para isso.

Direto do Forno · Música

All Them Witches – Saturnine & Iron Jaw (Single)

É intrigante como o All Them Witches passeia por várias vertentes musicas em uma só canção. Em um disco então, é uma salada completa, e das boas. É só ouvir o último lançamento do grupo, ATW, cujas impressões pessoais registrei aqui.

Agora vem o seu sucessor, Nothing As The Ideal, com lançamento previsto para o início de setembro via New West Records.

A canção que inicia esse novo trabalho já está disponível para o público, e é sobre ela o que disse no início desse texto. Com quase sete minutos e com um riff poderoso, ela navega entre o rock psicodélico e o stoner, e tem uma característica interessante e presente em várias outras músicas da banda: ela dá uma quebrada no tempo, de repente, até que volta subindo o tom até explodir de novo.

Se o trio mantiver a regularidade, acho que vem mais pedrada por aí.