Direto do Forno · Música

O novo do John Garcia: John Garcia and the Band of Gold

Em ordem cronológica, é seu terceiro álbum solo, mas se levarmos em conta a nova banda que o acompanha, “John Garcia and the Band of Gold” é o primeiro disco do deus-mor do rock do deserto com esse grupo. E o seu melhor trabalho desde que se desprendeu do Kyuss.

Ao todo, são onze petardos sonoros que não aliviam em nenhum momento. Quer entender melhor? Pegue os três singles disponibilizados anteriormente (“Chicken Delight“, “Jim’s Whiskers” e “My Everything“) e quadruplique-os. O disco inteiro é recheado de riffs pesados e sujos, com muito fuzz e blues, um baixo marcante e igualmente forte, acrescentados à uma bateria pungente que parece causar uma avalanche de rochas sobre o ouvinte.

Mas o fio-condutor que mantém o álbum bem nivelado do início ao fim é o vocalista e dono do projeto. O tempo fez bem à sua voz e Garcia parece mais vivo do que nunca, enérgico nos versos e agressivo nas horas certas. E é justamente esse equilíbrio entre voz e instrumentos que tornam “John Garcia and the Band of Gold” um trabalho uniforme, mantendo a intensidade desde o início instrumental com “Space Vato” até o desfecho (não se engane pelo nome) com “Softer Side”.

Se o stoner rock/metal tem, ao meu ver, uma das atividades mais produtivas da música underground, ouvir um novo disco daquele que é considerado uma lenda viva do estilo é um incentivo e tanto.


1. Space Vato
2. Jim’s Whiskers
3. Chicken Delight
4. Kentucky II
5. My Everything
6. Lillianna
7. Popcorn (Hit Me When You Can)
8. Apache Junction
9. Don’t Even Think About It
10. Cheyletiella
11. Softer Side

Direto do Forno · Música

Perfect Son – Lust (Single)

Falei aqui sobre o Perfect Son, alter-ego do cantor e produtor polonês Tobiasz Biliński, uma das novas apostas da Sub Pop.

Seu disco de estréia pelo selo chega somente no próximo mês, mas o segundo single, “Lust”, já está disponível e, assim como o antecessor, é de uma surpresa agradável.

Desde os primeiros segundos, a canção é conduzida por uma leva de batidas hipnóticas, que alternam entre linhas mais constantes e picos de maior força, enquanto o artista solta seus versos de forma direta e confessional.

“Lust”, em seus três minutos cravados, demonstra mais uma vez o ótimo produtor que Perfect Son é, e tem as características ideais para ser executada em qualquer meio de circulação pop.

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Glen Hansard – I’ll Be You, Be Me (Single)

Após ouvir “I’ll Be You, Be Me” algumas vezes e a julgar pela sonoridade da mesma, posso afirmar que o novo disco de Glen Hansard nada tem a ver com o artista que eu conheci. Esqueça aquele rapaz de “Once”, filme premiado no Oscar de 2006. Ele evoluiu, e sua música também.

A voz doce e carregada de emoção está mais grave e soturna, enquanto as melodias advindas do folk foram substituídas por experimentos eletrônicos bem densos e explosivos, que atingem um crescendo impressionante no fim da canção, algo que, para mim, é totalmente novo na carreira de Hansard.

“This Wild Willing”, seu quarto disco em carreira solo, chega ao mundo somente em abril, via Anti Records.

Garimpo · Música

Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

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Cosmic Cave – Ex Hex (Single)

Três mulheres. Guitarra, baixo e bateria. É assim, simples e certeiro, que a Ex Hex mantém suas atividades, agora com um novo disco chegando em março de 2019 pela Merge Records, quase cinco anos após “Rips” (2014).

“It’s Real” é o título do trabalho, e contará com dez canções. A escolhida como primeiro single, “Cosmic Cave”, é dançante, animada e imparável. São três minutos cravados do mais puro rock’n’roll de garagem.

O nome do disco deve ser uma brincadeira com o ouvinte: sim, é real o que você está ouvindo. Difícil mesmo é sair do transe causado por essa primeira e ótima fatia do álbum. Só lamento pela capa: poderia ter sido melhor. Bem melhor.

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Hank Wood and the Hammerheads – HEADS (Single)

Ali no título está single, mas como a própria banda o denomina, “HEADS” é um “2-Song Cassingle“, ou seja, um trabalho de duas canções que terá seu formato físico em fita cassete, resgatando o modo que ouvia-se música algumas décadas atrás.

“You Could Have It” e “I’d Rather Be With Me” são as músicas que compõem esse pequeno projeto, mas que causam um belo estrago (no bom sentido) ao ouvinte. Se juntá-las, são quase cinco minutos de porrada sonora influenciada pelo punk rock e pelo rock de garagem meio The Stooges, com guitarras cortantes e velozes e um vocal bem raivoso.

Seu lançamento foi no início do ano, em 4 de janeiro. Apenas enquanto escrevo esse texto, “HEADS” está sendo repetido pela quarta vez.

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Rema-Rema – Rema-Rema (Single)

Após passar quase quarenta anos no mais extremo limbo da música alternativa, a banda Rema-Rema retorna do obscuro para o catálogo da 4AD com o lançamento de seu único disco completo, “Fond Reflections”, trabalho esse que, segundo o próprio selo, é o “debut que nunca existiu”. Explico.

Formada por membros do The Models e da Siouxsie and The Banshees, o Rema-Rema estava naquele meio do post-punk no início dos anos oitenta, fazendo canções claustrofóbicas, secas e com muito experimentalismo. Em seu curto período de atividade, lançaram somente um EP em 1980, intitulado “Wheel in the Roses”. Inclusive, é um dos primeiros trabalhos lançados pela 4AD. Ouça “The Feedback Song” para ter uma noção de sua sonoridade:

Perto de completar quatro décadas do lançamento de “Wheel in the Roses”, Gary Asquith, um dos membros do conjunto, em parceria com o engenheiro de som Takatsuna Mukai, reviraram arquivos e fitas cassetes com canções da banda e trabalharam nelas para montar “Fond Reflections” da forma mais fiel possível quanto ele seria lançado na época.

Todo esse material resultou em um disco duplo, que sairá do forno em primeiro de março desse ano. A gravadora já disponibilizou “Rema-Rema”, faixa que leva o nome da banda. Um belo resgate da 4AD no que diz respeito à música alternativa.

Garimpo · Música

Garimpo: Trent Reznor & Peter Murphy Ao Vivo 23/06/2006

Em 2006, Trent Reznor, Peter Murphy, Atticus Ross e Twiggy Ramirez juntaram-se para um turnê de apresentações em rádios do EUA. Selecionado a dedo, o repertório continha canções tanto de Trent/Nine Inch Nails quanto de Murphy/Bauhaus, bem como algumas músicas aleatórias que faziam parte do gosto musical dos participantes.

Uma dessa apresentações aconteceu em Boston, no dia 23 de junho daquele ano, com quatro canções. A apresentação está completa no Youtube, no canal oficial do Nine Inch Nails.

A performance é recheada de sons eletrônicos e Twiggy Ramirez explora muito bem a sua guitarra. Somente “A Strange Kind of Love”, de Peter Murphy, é tocada em formato acústico.

Tracklist:

1. Warm Leatherette (Grace Jones)
2. A Strange Kind of Love (Peter Murphy)
3. Reptile (Nine Inch Nails)
4. Nightclubbing (Iggy Pop)

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Garimpo: Stone Temple Pilots – Dancing Days (Led Zeppelin Cover, Ao Vivo no Howard Stern Show 1996)

Em 1995, vários artistas foram reunidos em uma compilação-tributo ao Led Zeppelin, intitulada “Encomium”. Nessa leva, uma das homenagens acabou sobressaindo-se, fazendo certo sucesso nas rádios e alcançando boas posições nas paradas: “Dancing Days”.

Lançada de forma original no clássico “Houses of the Holy”, de 1973, a canção ganhou nova cara pelo talento do Stone Temple Pilots, que acrescentou um quê de apatia à canção, porém, de forma criativa e elegante.

Devido ao seu sucesso, a banda participou do Howard Stern Show em 1996, com uma apresentação acústica da mesma, em um ritmo um pouco mais lento. Em plena forma, destaco aqui o vocal de Scott Weiland. Um deleite para os fãs.

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Kev Brown – That’s It (Vídeo)

“That’s It”, uma das canções mais curtas do disco “Fill In The Blank” (2018), ganhou um singelo videoclipe.

Lançado na véspera do réveillon, o vídeo traz Kev andando por um subúrbio, retratando um estilo de vida longe de holofotes ou exibicionismos. Enquanto caminha pela rua, ele dispara os seus versos, até o corte em que o artista conversa sobre as boas-vindas com pessoas locais.

A proposta é interessante e a música, apesar da duração, traz linhas de baixo e pianos muito bem elaborados.

Vale conferir.