Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Lou Karsh – Against The Flames EP

Admirável e importante a iniciativa do Lou Karsh, artista australiano que vê seu país enfrentar um verdadeiro apocalipse ambiental, com danos enormes e irreparáveis.

Para levantar fundos e ajudar ao combate dos incêndios na Austrália, o rapaz soltou um EP com quatro ótimas músicas intitulado Against The Flames, e destinará toda a renda das vendas para o combate ao desastre.

Inserido na vertente eletrônica, Lou Karsh mescla várias vertentes do estilo em seu trabalho, variando entre trechos dançantes e batidas pesadas com passagens ambient, às vezes em uma mesma canção.

Vale conferir não só pela causa, mas também pela qualidade do som.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #09: “Supercopa” da Espanha

Supercopas são disputadas, no geral, entre os campeões dos dois torneios mais importantes de um país: a Liga e a Copa. Se ampliarmos para uma disputa continental, seria a disputa entre o campeão da Champions League/Libertadores contra o vencedor da Liga Europa/Sul-Americana.

Essa competição tornou-se tradicional em vários países mundo afora. Vale taça, grana e rende jogos bons para assistir. Na Inglaterra, por exemplo, é a partida que inaugura a temporada. Nesse ano, o Brasil também terá a sua Supercopa, reformada após vinte e oito anos de ausência do calendário.

Porém, com a ganância humana cada vez mais sem limites, dirigentes conseguiram estragar um torneio tão simples. Entenda:

Na última temporada, o Barcelona faturou o Campeonato Espanhol, enquanto o Valência levou a Copa do Rei. A lógica seria um embate entre as duas equipes para decidirem a Supercopa da Espanha.

Só que a federação espanhola resolveu mudar as regras da competição, transformando a partida única em um quadrangular, inserindo os dois times mais bem colocados na Liga Espanhola (fora o campeão, óbvio, e o possível campeão da Copa) para participarem. Resultado: Real Madrid e seu rival Atlético de Madrid fizeram a final do torneio, eliminando, respectivamente, Valencia e Barcelona.

O curioso é que as duas equipes da capital espanhola não ganharam NENHUM troféu na última temporada, e mesmo assim foram habilitadas a disputarem a taça. Além da mudança no formato, ainda organizaram o torneio para ser disputado na ARÁBIA SAUDITA, país com tradição zero no esporte e bastante contestado por irregularidades referentes aos direitos humanos. Só que os árabes nadam em petróleo e isso gera bastante dinheiro, né. É só juntar os pontos.

Tento não admitir, mas fica cada vez mais difícil não aceitar que esse esporte tão amado chamado futebol está tomado pelo dinheiro quase que por completo.

Só nos resta resistir!

Garimpo · Música

IGOR (Ou A Julgar Pela Capa)

É fim de ano e os veículos musicais ficam afoitos para soltarem suas listas de “melhores do ano”, listas essa que, sabemos, são recheadas de jabá, camaradagem e que pouca coisa realmente difere uma da outra. Mesmo assim, dá pra pincelar aqui e ali um disco que passou batido durante o ano e colocar a audição em dia.

O Floga-se faz anualmente o serviço de compilar essas listas em uma única página, facilitando a vida do leitor. Estava eu dando uma olhada e nada chamou minha atenção, até eu me deparar com essa capa:

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Nunca me interessei por uma música sequer do Tyler, The Creator, mas essa capa me pegou em cheio. Monocromática, ambígua e melancólica. IGOR é o nome do disco, e foi escolhido por um site como o melhor do ano. Dei uma chance e a experiência foi… Diferente.

Havia um tempo que não ouvia um disco de rap. Ouvi Blonde, do Frank Ocean, na época de seu lançamento (2016) com o hype altíssimo, e quebrei a cara pela alternância de bons e maus momentos. Mas com IGOR foi diferente, a produção é ótima e o álbum não possui excessos. São doze faixas que, à pedido do próprio artista, devem ser ouvidas em sequência, para que funcionem como uma única e longa história de um personagem afogado em uma paixão doentia, cheia de mágoas, raiva, desespero e que ao final, busca por alento.

É um prato quente para quem gosta de versos pesados, precisos e batidas e samples bem construídos. Certamente irei atrás de mais material desse rapaz.

Quarta Parede

Episódio 8

Para quem esperava, enfim, por alguma resposta, a terceira temporada de Twin Peaks trouxe mais dúvidas do que certezas. Claro que a nostalgia veio junto com a expectativa, mas certo é que esse revival teve uma abordagem bem diferente da original, que já falei sobre aqui.

O oitavo episódio deixou bem claro que Lynch tinha mais liberdade artística para contar a sua história. Pelo que entendi, foi, de certa forma, um bomba atômica que desencadeou o espírito maligno Bob. E todo o surrealismo e desconforto sonoro que vemos durante boa parte desse fragmento da trama é digno de um: “PUTA QUE PARIU, QUE PORRA É ESSA QUE ACABEI DE VER?”

Se você procurar pela internet agora, verá que alguns “gênios” se acharam no dever de tentar explicar tudo o que acontece, sendo que o mais gostoso da obra de Lynch é tirar as suas próprias conclusões, isso quando elas são possíveis. O melhor mesmo é adentrar no seu universo non-sense e deixar-se levar pela correnteza de ideias tortas.

Para completar, o convidado musical da vez foi o Nine Inch Nails, com “She’s Gone Away”, um pedido do próprio David Lynch à Trent Reznor.

Uma verdadeira aula de arte.

Quarta Parede

+2 Filmes: Marilyn Monroe

No último final de semana, reparei um erro terrível que percorria minhas veias a um bom tempo: finalmente assisti Marilyn Monroe atuando. E que surpresa!

De forma aleatória, selecionei dois filmes em que a deusa-mor do cinema atuou e coloquei em cheque o seu talento: Some Like It Hot, de 1959, e The Seven Year Itch, de 1955. Ambos são comédias com boa dose de inocência (até demais por parte das personagens de Marilyn), grandes atuações e o mais importante: piadas e sacadas que realmente são engraçadas. Destaco os monólogos de Tom Ewell interpretando o Sr. Sherman em The Seven Year Itch, um personagem cheio de paranoias e hábitos inusitados.

Voltando à atriz, apesar da nítida e exagerada exploração de seu corpo em cena, com closes provocantes e roupas sensuais, Marilyn performa em alto nível. Seus movimentos, danças e expressões faciais vão muito além de uma atriz que, infelizmente, era taxada no estereótipo tolo da “beleza burra”.

Contudo, o que me fascina é perceber que um filme com mais de sessenta anos de lançamento causa mais graça do que uma “comédia” recente. É de parar e pensar porque o nível caiu tanto com o passar dos anos.

Garimpo · Música

Garimpo: Hall of Noises – The Melancholic Youth of Jesus

Carlos Santos, o mentor do Melancholic Youth of Jesus, acaba de disponibilizar de forma oficial o debut do projeto, Hall of Noises, lançado em 1992, em sua página no Bandcamp.

São seis canções com o melhor do noise rock/shoegaze, recheado de guitarras dissonantes, microfonias, feedbacks, enfim, os mais variados ruídos que dão todo o charme do trabalho.

Em junho desse ano, Santos e sua gangue soltaram dois ótimos EP’s fiéis às suas raízes. Escrevi sobre eles aqui.

Entre em transe com Hall of Noises no player abaixo.

Garimpo · Música · Quarta Parede

E esse Watchmen, hein?

Se tem um seriado que me surpreendeu e que estou acompanhando com fervor é Watchmen, da HBO. Mesmo considerada por muitos como desnecessária, a continuação da HQ está muito interessante: trama misteriosa, clima sombrio, muita violência e claro, uma trilha sonora sensacional.

Sério, não é exagero nenhum dizer que praticamente tudo que o Trent Reznor e o Atticus Ross criam é acima da média, e não foi diferente nessa trilha sonora. Experimental na medida certa, misturando elementos de eletrônica, música ambient e industrial, e que resultou até em um cover de “Life On Mars?”, do David Bowie.

Vou deixar um aperitivo aqui embaixo.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #08: Toda Arrogância Foi Castigada

“Não podemos abrir mão da Copa do Brasil se olharmos o passado do Internacional na competição.” – Celso Roth, após derrota para o Galo por 3×1.

O problema do futebol é viver de glórias do passado e pensar que elas podem salvar o presente.

Não coloquei data, mas sei que fiz essa anotação em 2015 ou 2016, pouco tempo antes do Inter cair para a Série B. Anos mais tarde, novamente a profecia se concretizou: foi a vez do Cruzeiro também ir para a segundona.

Comemorei demais, afinal, para quem não é de Minas Gerais, vos explico: não há torcida mais folgada. É um salto alto interminável, postura arrogante de jogadores e dirigentes e um pensamento de superioridade que beira o nojo.

Segunda Divisão é pouco. Que fiquem por muitos anos lá, fazendo companhia para o América.

Direto do Forno · Música

Greg Dulli – Pantomima (Single)

Greg Dulli é uma espécie de Midas da música underground. Seja em seu projeto principal, o Afghan Whigs, cuja discografia é uma das mais brilhantes dos anos noventa, ou com o The Gutter Twins, sua parceria com Mark Lanegan, e até com The Twilight Singers, a presença de Dulli garante ao ouvinte, no mínimo, uma dose de curiosidade.

Até escrevi aqui no blog sobre a discreta participação do cara no mítico álbum de estreia do Foo Fighters, na canção “X-Static”.

Agora, para 2020, Greg Dulli prepara o primeiro disco que leva o seu nome na capa: Random Desire, previsto para sair do forno em fevereiro. Você já pode ouvir “Pantomima”, a primeira canção liberada da obra. Nela, há uma boa concentração de carga emocional, sex appeal e guitarras, muitas guitarras.