Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #01: Teimosia

Nem mesmo a grande vitória no clássico contra o América-MG fez os torcedores do Galo (eu, inclusive) esquecerem a patética partida contra o Nacional do Uruguai pela Libertadores, onde o time não deu um único sinal de vontade em ganhar o jogo e perdeu para uma equipe que, com o máximo respeito (e respeito mesmo, afinal, o time uruguaio é gigante), é muito inferior à nossa.

Levir Culpi, além de ultrapassado, transbordou teimosia. Não é possível que ele não percebeu a urgência de mudança que o time necessitava, e só resolveu fazer as substituições depois que o Nacional-URU havia marcado o seu gol. Até os comentaristas da Fox Sports que, sabemos, são uns puxa-sacos do eixo RJ-SP, estavam incomodados com a falta de coragem do treinador. No final, ele esperou a desgraça acontecer para tomar uma atitude. Patético!

Ainda temos a insistência com o Patric na lateral direita e a maldita formação com TRÊS VOLANTES, numa retranca sem explicação. Agora o Atlético precisa jogar tudo o que não jogou até hoje para conseguir a classificação às oitavas de final. Eu, que sou torcedor, admito: com Levir, nossas chances são pequenas. A não ser que, por um milagre, ele esqueça a alcunha de “burro com sorte” e resolva fazer esse time jogar futebol de verdade. Que as vitórias venham não pelo acaso, mas pela bola jogada.

 

Não ao futebol moderno!

Direto do Forno · Música

Holy Motors – Two Days Passed/Beast In Black (Demos)

Anton Newcombe, líder do The Brian Jonestown Massacre, mantém contato direto com os fãs através de sua conta no Youtube, postando canções e discos de sua banda e de artistas parceiros. Interessante notar que ele coloca o aviso “work in progress” (trabalho em andamento), para sabermos que trata-se de um material não-oficial e que ainda precisa ser lapidado.

A parceria mais recente é com a Holy Motors, banda da Estônia que, segundo o próprio Newcombe, foi à Berlim (cidade onde ele reside) gravar um EP com sua produção. Conhecemos, até o momento, duas demos de canções dessa parceria: “Two Days Passed” e “Beast In Black”.

O resultado é um som etéreo recheado com guitarras atmosféricas que parecem ter sido criadas lá no início dos anos noventa, quando iniciou-se o que conhecemos por shoegaze.

Direto do Forno · Música

The Underground Youth – Last Exit To Nowhere/The Death of The Author (Singles)

Lembro até hoje que conheci o The Undergroud Youth através de uma recomendação do próprio Youtube, a primeira que resolvi clicar para ver do que se tratava. Era o disco Mademoiselle (2010) na íntegra, cuja icônica capa é um retrato da atriz francesa Anna Karina. Aquele pós-punk moderno me acertou em cheio e me fez ficar em transe por um tempo. Anos depois da descoberta, reencontro a banda em dois singles que antecedem um disco aparentemente muito interessante.

“Last Exit To Nowhere” e “The Death of The Author” são as duas primeiras amostras de Montage Images Of Lust & Fear, o próximo disco do conjunto que ganha ainda esse mês, no dia 29, pela Fuzz Club Records.

A primeira, mais acelerada, encanta pelo baixo potente que ganha mais força do que as guitarras em todo seu decorrer. Já “The Death of The Author”, com seis minutos e meio de duração, é a clássica canção post-punk oitentista, com passagens claustrofóbicas que, de repente, ganham força em um estouro de guitarras e bateria, microfonia e gritos desesperados, aumentando ainda mais a tensão e a euforia de quem a ouve. Nesse sobe e desce de emoções, é possível identificar as pitadas de PIL, Joy Division, Iggy Pop em The Idiot e toda aquela veia soturna que pairava na Inglaterra.

Montage Images Of Lust & Fear é um disco para ficar atento.

Direto do Forno · Música

Jeremy Walch – Jolly Birds (Single)

Músicas como “Jolly Birds” fazem do selo belga Luik Records um dos mais legais que conheci desde que iniciei o Numa Sexta.

Jeremy Walch é mais uma das figuras que movimentam as atividades da gravadora e tem um álbum saindo do forno dia 19 do próximo mês, intitulado Scarlet.

Levada por guitarras levemente psicodélicas, a melodia pop agradável e dançante do single “Jolly Birds contagia o ouvinte. E como o próprio artista afirma, é tudo feito em casa.

Direto do Forno · Música

Junodream – Terrible Things That Could Happen (Single)

Por um instante, pensei ter voltado à década de noventa, no auge do rock alternativo triste e introspectivo. Mas não, era apenas o Junodream, mais uma banda que bebe dessa fonte no dias atuais, só que, ao contrário da maioria, ela sabe como usar tal referência em sua própria música.

“Terrible Things That Could Happen” é o single mais recente do quarteto londrino, que ainda não tem um disco cheio em seu catálogo. Apenas alguns singles que servem como amostras para um futuro trabalho.

No Twitter oficial da banda, temos o seguinte: “Canções agridoces para exorcizar demônios. Inspirações incluem artistas do rock do final dos anos noventa e do Trip Hop. Espalhe boas palavras”. Ao meu ver, auto-explicativo. Apenas ouça e deixe-se levar.

Garimpo · Música

Garimpo: Bobkat’65

Vem da região das Astúrias (ou melhor, do Principado das Astúrias), na Espanha, o trio Bobkat’65, um dos queridinhos da Get Hip Recordings. Composto pela guitarrista e vocalista Ana, a baixista e também vocalista Paula e Diego na bateria, o grupo resgata a alma do garage rock dos anos sessenta e do protopunk no início dos anos setenta. O próprio nome da banda é uma homenagem ao modelo de guitarra Bobkat, famoso naquela época.

Sabe aquele tipo de música que o Tarantino gosta de usar em seus filmes? Pois é, o Bobkat’65 cairia bem em uma de suas películas. As canções são rápidas, geralmente o vocal é dividido entre Ana e Paula e o instrumental é seco, demonstrando a crueza na produção dos trabalhos do trio.

O único disco completo que a banda lançou até hoje chama-se This Lonely Road, lançado em 2017. Outros lançamentos oficiais são o single Gwani/Time, de 2016, e um mais recente, Four Times A Fool​/​Pain Everynight, lançado em dezembro do ano passado. Todos são distribuídos pela Get Hip Recordings e já ecoam pela Europa, promovendo a banda em festivais que ultrapassam as fronteiras de seu país natal.

A maior graça do Bobkat’65 é provar que excessos não são necessários para se fazer música boa. Ouvir todos os trabalhos do trio espanhol em sequência garante bons minutos de diversão.

Direto do Forno · Música

Chameleon – Emancipator & 9 Theory (Single)

Emancipator e 9 Theory, duas figuras da música eletrônica/chillout/downtempo/trip hop norte-americana se juntaram para a criação de Cheeba Gold, um EP colaborativo .

Para anunciar o novo trabalho, o calmo single “Chameleon” já está disponível para audição e é, no mínimo, interessante.

Na minha opinião, o Trip Hop em seus primórdios (Massive Attack, Tricky, Portishead, Morcheeba, …) é o gênero musical mais criativo que surgiu nos últimos trinta anos. Era visceral, melancólico e sombrio. Mas o tempo foi passando e o próprio estilo foi evoluindo, se adaptando ao mundo moderno, com artistas trazendo cada vez mais inovações para a sua própria música.

O single do Emancipator com o 9 Theory tem um pouco disso. Ele possui, mesmo que de forma moderada, a sensualidade do Trip Hop, mas com uma melodia um pouco mais alegre e preguiçosa, batidas acompanhadas por arpejos acústicos e colagens vocais misteriosas.

Cheeba Gold sai do forno daqui uns dias, em 22 de março.

Direto do Forno · Música

Dub Trio – World Of Inconvenience (feat. King Buzzo)

Joga no liquidificador a salada sonora que o Dub Trio faz e adiciona um ingrediente de peso (literalmente): King Buzzo, do Melvins. O resultado é “World of Inconvenience”, single do próximo disco do trio dub-eletro-punk-metal que se chamará The Shape of Dub, com lançamento marcado para 26 de abril deste ano.

Na maior parte do tempo, a canção caminha pela sonoridade do Melvins, com riffs de guitarra e baixo poderosos e a bateria arrasando ao fundo. Em certos momentos, surge uma quebra no ritmo para uma ambientação mais soturna e atmosférica, e é aí que percebe-se as características do trio.

Levando em consideração que a maior parte do trabalho do Dub Trio é instrumental, a participação de King Buzzo tende a ser a melhor parte desse misterioso novo álbum.

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Routine Death – Stay (Single)

A bateria lá no fundo avisa o contrabaixo: aqui eu tomo conta, mas o resto é com você.

Sim, é a linha grave de cordas que rouba a cena logo no início de “Stay”, single lançado pelo Routine Death através da inglesa Fuzz Club Records. Logo mais adentram os pedaços eletrônicos, sintetizadores, guitarras e vozes e tudo mais que você imaginar, mas nada tira o brilho da contínua linha de baixo que acompanha toda a canção.

“Stay” é o primeiro lançamento do eletro-duo após “Parallel Universes”, disco que está próximo de completar um ano de vida.

Se teremos álbum novo em breve, ainda é um mistério.

Direto do Forno · Música

The Black Keys – Lo/Hi (Single)

Após uma pausa de duas semanas por motivos de trabalho/feriado, retorno com o blog com uma pancada inesperada: o novo single do The Black Keys, o primeiro lançamento do duo em cinco anos.

Com o som cada vez mais bem trabalhado e se afastando da crueza dos primeiros álbuns, “Lo/Hi” até brinca com o lo-fi no nome, mas tem na sua fonte o rock dos anos setenta mesclado levemente com o R&B.

Pegue o último disco, “Turn Blue”, lá de 2014, e exclua os excessos psicodélicos. O que se percebe em três minutos de canção é um rock’n’roll de qualidade e amadurecido, que faz falta nos dias de hoje.

Ainda não há nenhuma informação a respeito de um novo disco.