Direto do Forno · Música

O Novo do Stone Temple Pilots: Perdida

É bem capaz que eu já tenha dito isso por aqui em algum momento, mas na dúvida, repito: fui um dos muitos que torceram o nariz para a continuidade do Stone Temple Pilots após a morte do Scott Weiland. Achava-o insubstituível, tanto que até hoje não ouvi as músicas da banda com o carinha do Linkin Park. Com um vocalista totalmente desconhecido por mim então, pior ainda.

Mas também fui um dos muitos que quebraram a cara com o disco auto-intitulado lançado em 2018. O cara novo tinha nome, Jeff Gutt, e cantava muito. Por isso, quando a banda anunciou Perdida, o disco mais recente e com uma proposta nova, afinal, o álbum é inteiro acústico, aguardei com entusiasmo.

Perdida é um disco melancólico e encantador. Desde a capa enevoada aos arranjos, ele funciona como uma exposição de sentimentos, uma ode à saudade e à melancolia. A faixa-título seria a que melhor resume essa composição. Jeff quase nunca eleva sua voz, e em raros momentos o tom de desalento é quebrado. “She’s My Queen”, por exemplo, é de uma melodia um pouco mais suave, e “Sunburst”, faixa que encerra o álbum, se analisarmos a tradução do termo e adicionarmos poesia no contexto, é como o sol aparecendo após um período perdido em meio ao tempo nublado.

Ao contrário do que o nome sugere, o Stone Temple Pilots não está perdido, muito pelo contrário, seus integrantes buscam cada vez mais novas maneiras de incrementar a sua música, e fazem aqui de forma acima do que eu esperava. Com belas composições, Perdida é o melhor disco da banda desde o Nº 4, de 1999.

O disco saiu no dia 7 de fevereiro pela gravadora Rhino.

1. Fare Thee Well
2. Three Wishes
3. Perdida
4. I Didn’t Know the Time
5. Years
6. She’s My Queen
7. Miles Away
8. You Found Yourself While Losing Your Heart
9. I Once Sat at Your Table
10. Sunburst

Direto do Forno · Música

+2x Maya Hawke

Enquanto não chega a data de estreia, de forma mais precisa dia 19 do próximo mês, Maya Hawke vai nos dando aperitivos de como será Blush, seu primeiro disco.

Já postei aqui o single “By Myself”, e desde então a menina da sorveteria de Stranger Things soltou mais duas canções: “So Long” e “Coverage”. Ambas ganharam versões ao vivo em um formato caseiro (seu pai, Ethan Hawke, filmou o vídeo de “Coverage”, que rolou em um celeiro) e cru, sem edições. A filmagem de “So Long”, em formato acústico, aconteceu em um espaço aberto, e dá pra vê-la sentindo calafrios devido à baixa temperatura.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Protomartyr e o Meme Brasileiro

Assisti Bandidos Na TV recentemente e fiquei de cara com o tanto de plot twist que aconteceu na história toda. Nem o mais refinado roteirista de Hollywood seria capaz de desenrolar algo tão bizarro e impactante.

Não entrarei em detalhes sobre a série documental, mas apenas para que o leitor tenha um norte, ela trata sobre o Caso Wallace, que foi um desenrolar de acontecimentos ocorridos em Manaus que envolveu o político Wallace Souza e vários crimes. Wallace foi apresentador do Canal Livre, programa policial líder de audiência no Amazonas, e graças à fama, entrou para a política. Veja a série, vale muito a pena.

Voltando ao tópico principal, um dos memes mais engraçados da internet brasileira vem justamente do Canal Livre, que foi a briga entre o fantoche Galerito e o Gil da Esfiha, participante assíduo da plateia. Em um belo dia, durante uma apresentação do cantor Nunes Filho, Galerito foi provocar o Gil e o pau quebrou. O vendedor de esfihas não aceitou a brincadeira e partiu pra cima do fantoche, o que causou uma confusão generalizada AO VIVO, deixando muita gente perplexa e gerando muitas risadas… Menos Nunes Filho, que manteve a compostura e continuou sua apresentação como se nada estivesse acontecendo.

Essa foi a situação que inspirou o videoclipe de “Processed By The Boys”, do Protomartyr. A canção foi lançada em 11 de março, como single do próximo álbum do grupo, Ultimate Success Today, com lançamento marcado para julho. É interessante o contraste do vídeo, cujas atuações beiram o lado cômico da situação, mas a música em si é melancólica, pesada e com letras sombrias.

Confira abaixo.

Direto do Forno · Música

Wilco – Tell Your Friends (Single)

Não é segredo algum dizer que Jeff Tweedy é um dos maiores compositores do mundo da música nos últimos trinta anos, principalmente nos tempos áureos do Wilco (Being There e Yankee Hotel Foxtrot).

“Tell Your Friends” é mais uma prova da habilidade do músico, novamente certeiro ao descrever pequenos detalhes que tornam-se gigantescos agora que estão praticamente em falta: gestos de afeto, como um abraço, aperto de mão, palavras de carinho, etc.

Mesmo com a tecnologia ao favor (e também desfavor, em partes) da humanidade, todos sentimos falta de calor humano. Por isso ele diz:

“Quero segurar sua mão
Quando te ver novamente.”

O single foi disponibilizado para download a preço mínimo e toda a renda será destinada à ONG World Central Kitchen.

Wilco sendo Wilco, apenas. Banda grandiosa não só na música, mas também em suas atitudes.

 

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #11: Garrincha no Vox Populi

Considero-me um cara ainda jovem, com vinte e sete anos recém completados. Comecei a acompanhar futebol para valer, com lembranças, torcida e tudo mais, em 2006, ano em que o Atlético Mineiro disputou a Série B. O que era para ser motivo de vergonha para muitos, foi a comprovação de uma lealdade e a firmação daquilo que acredito ser atleticano. E tenho certeza que muitos sentem o mesmo.

De 2006 pra cá, vi times encantadores. Vi o Barcelona de 2009, que ganhou TUDO que disputou, a Espanha bi-campeã européia e campeã mundial, o Galo de 13/14, enfim, são alguns exemplos. Tiveram muitos outros, claro. Sem falar no privilégio em presenciar o auge de dois dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi e Cristiano Ronaldo.

Apesar de ser novo, minha alma pertence a épocas passadas. Tenho uma paixão inexplicável pelas décadas que não vivi, principalmente quando o assunto é futebol. Entro em devaneios quando imagino aquele futebol cascudo, truncado, times tão bem falados ainda nos dias atuais, como o Flamengo do Zico, o Atlético de Reinaldo, a Seleção Brasileira de 1970, Santos e Botafogo dos anos sessenta, e por aí vai. E um dos meus personagens favoritos desse tempo é o Garrincha, pelas jogadas inovadoras para a época. Os cortes secos, muitas vezes repetitivos, mas que os marcadores sempre caíam. E claro, sua estrela em duas Copas do Mundo.

Vi há poucos dias uma entrevista do Mané no programa Vox Populi, na TV Cultura, de 1978, salvo engano. A qualidade é de um nível que não se vê em entrevistas de jogadores nos dias atuais. Garrincha responde questionamentos variados, que vão de sua carreira a assuntos mais delicados, como situação financeira, vícios e separações. E o melhor de tudo, com exceção de uma ou outra pergunta que ele rodeia, o cara não nega a chance de resposta.

Pegue qualquer jogador brasileiro de hoje e imagine uma entrevista com ele. Os assuntos provavelmente seriam bens materiais, mulheres, idiotices de rede social e só ladeira abaixo. E as respostas? Bem, se houvesse alguma, todas passariam pelo exame do assessor antes. Uma lástima. Chega a dar tristeza perceber como nosso nível caiu tanto, dentro e fora do campo.