Crônicas · Língua Presa · Música

Radiohead e a Cidade

Era fim de tarde quando saí da barbearia e fui em direção ao carro para, enfim, tomar o rumo de casa. Ao ligá-lo, o som, em modo aleatório, escolheu uma canção curiosa para aquele momento: “No Surprises”, do Radiohead.

Repito, era fim de tarde. Carros e motos aglomeravam as ruas. Pessoas tomavam conta das calçadas. Na sorveteria, nas lojas de roupas, na fila do banco então, nem se fala. Celulares eram tocados em cada canto que os olhos pudessem alcançar, por crianças, idosos, se bobear, até pelos cachorros.

Na esquina, um playboy fechou um motoqueiro e a buzina se espalhou cidade afora. Adiante, um motorista resmungou ao parar na faixa de pedestres para uma mulher atravessar. Se fosse uma gostosona, pensei, ele não reclamaria. E sem falar nas bicicletas, que vão e vêm na contra-mão sem se importar com quem ou que irá atravessar em sua frente.

Enquanto isso, em meio ao caos do fim de tarde na selva de pedra, tudo o que Thom Yorke pedia à mim, quase uma súplica, era um pouco de silêncio.

2 comentários em “Radiohead e a Cidade

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