Direto do Forno · Música

Middle Kids – Salt Eyes/Real Thing (Singles + Vídeo)

Lost Friends, lançado em maio do ano passado, foi o debut do Middle Kids pelo selo Domino. Um ano após a estreia, o trio australiano encaminha o EP New Songs For Old Problems, sucessor de seu trabalho inicial.

Os dois singles lançados até o momento trazem um pop cativante, cru e deveras melancólico. “Real Thing” ganhou um videoclipe emocionante, mas “Salt Eyes” me cativou mais.

Traduzindo literalmente o nome do disco, “novas canções para problemas antigos”, é interessante notar que a música é sempre uma ótima válvula de escape. Os problemas nunca acabarão, assim como a música. Ela sempre está por perto para nos ajudar, como melhores amigos.

O EP chega por completo em 24 de maio.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #02: Masoquismo

No final de semana retrasado, assisti um jogaço da Bundesliga: Hertha Berlim 2×3 Borussia Dortmund. Fora de casa, os auri-negros venceram de virada e com um gol nos acréscimos, depois de tanto martelar o adversário. O jogo foi ótimo porque foi movimentado, com duas equipes bem armadas, que sabiam trocar passes e buscavam o gol a todo instante. Venceu a melhor.

Alguns dias antes, no final de fevereiro, assisti cerca de quinze minutos de Boavista x Madureira, transmitido pelo Sportv para TODO O BRASIL, pelo desastroso Campeonato Carioca. Meus olhos chegaram a doer, de tão ruim que foi a experiência. Os times não conseguiam trocar mais do que três passes até darem algum chutão para frente, sem falar na péssima pontaria dos jogadores. Ainda assim, a cada equipe conseguiu fazer um gol cada. Não vi nenhum deles.

Outra partida que acompanhei por alguns minutos foi Atibaia x Portuguesa, pela Série A2 do Paulistão, também com transmissão NACIONAL pelo canal global. Com chuva, esse jogo foi ainda pior. E olha que São Paulo tem, ao meu ver, o melhor futebol do interior. Ficou 1×2 para a Lusa, que consegue se afundar cada vez mais, ano após ano.

Sei que é engraçado admitir isso, mas mesmo com todas as críticas, gosto dos Estaduais. Sinto falta deles quando chega nessa época do nosso calendário futebolístico, onde a maioria dos campeonatos já estão nas fases finais. É divertido ver esses jogos com técnica zero, zagueiros truncados, atacantes que se acham craques e gramados terríveis. Lembra dos jogos que eu ia no Mamudão, em Governador Valadares-MG, acompanhar os jogos do Democrata pelo Campeonato Mineiro. É nessas partidas que temos o tio da pipoca, da batata seca, do torcedor do rádio de pilha e mais um monte desses clássicos personagens que fazem o futebol ser tão apaixonante.

Prefiro pagar vintão num ingresso para assistir Democrata x Ipatinga (clássico do leste mineiro que já vi debaixo de uma forte chuva e que perdemos em casa por 1×4) do que acompanhar um clássico inglês sentado, como se estivesse num teatro.

Gostar dos Estaduais é gostar de sofrer. Só pode ser masoquismo.

Direto do Forno · Música

O novo do The Brian Jonestown Massacre: The Brian Jonestown Massacre

Anton Newcombe é um desses artistas da mesma safra de Nick Cave e Chino Moreno, que produzem discos cada vez melhores à medida que envelhecem. The Brian Jonestown Massacre, o novo disco e auto-intitulado, é o décimo oitavo da banda, e mostra Anton e sua trupe em plena forma criativa.

São nove canções que bebem na mais lisérgica fonte dos anos sessenta, lideradas por um batalhão de guitarras repetitivas e cruas e a preguiçosa voz do vocalista arrastando os versos. Mas um detalhe à parte: a bateria é o ponto alto desse disco.

“Tombes Oubliées” lembra canções como “Nº13 Baby” (Pixies) e “Desire Lines” (Deerhunter), cujo final repetitivo torna-se uma hipnose sonora e deixa o ouvinte em transe.

“We Never Had A Chance” e “To Sad To Tell You” são leves, arrastadas e melancólicas, fazendo dessa dobradinha a melhor parte de todo o álbum. Uma tristeza psicodélica que faz o ouvinte sentir toda a dor do narrador.

O disco ganhou vida em 15 de março desse ano, pela A Recordings, gravadora de Anton Newcombe. Tem duração de trinta e oito minutos e prova que a mente de seu idealizador é uma verdadeira fábrica de canções.

  1. Drained
  2. Tombes Oubliées
  3. My Mind Is Filled with Stuff
  4. Cannot Be Saved
  5. A Word
  6. We Never Had a Chance
  7. To Sad to Tell You
  8. Remember Me This
  9. What Can I Say
Diversos · Língua Presa · Música

Sem Conserto

“Não consigo encontrar um lugar apropriado para o fim. O tempo entrou em coma, perdi minhas memórias e nem percebi. ‘Um breve instante’ foi um presente que eu ganhei, mas ainda não abri. Tempo perfeito não deixa sobras pro futuro. Igual a mim. Igualzinho a mim.
Qualquer um que fotografar os pesadelos de quem não volta a dormir, vai andar olhando pro céu, pois vai sempre estar a um passo de cair. ‘Um breve instante’ foi um presente que eu ganhei, mas ainda não abri. Sem memória e sem futuro, é melhor assim. Bem melhor assim.
É o melhor pra mim.”
Garimpo · Música

Garimpo: Fellini – Só Vive 2 Vezes (Disco)

Já deve fazer uma semana que o segundo álbum do Fellini, Só Vive 2 Vezes, é repetido de forma incessante no meu cotidiano, seja no player do carro ou no celular. A produção de baixa qualidade, as letras sem sentido de Cadão Volpato, as melodias que misturam pós-punk com MPB e sintetizadores e um forte senso de originalidade são os ingredientes que prenderam a minha atenção.

O Fellini foi um conjunto paulistano que durou de 1984 à 1990, tendo como frentes principais o guitarrista Thomas Pappon e o vocalista/letrista Cadão Volpato. Em Só Vive 2 Vezes, apenas a dupla participou da composição e gravação das músicas. Todo o trabalho foi feito na casa de Pappon em um gravador com quatro canais. Segundo Cadão, em uma das músicas é possível ouvir até um vigia passando na rua com um apito, mostrando o quão cru foi o processo desse disco. Crueza essa que, em alguns momentos, dificulta o entendimento de suas palavras, mas que não impedem o ouvinte de apreciar as canções.

A melancolia é companheira em quase todas as canções. Mesmo que algumas melodias sejam mais agradáveis, a sensação ao ouvir “Só Vive 2 Vezes” é de estar em um dia nublado acompanhando a chuva pela janela.

Destaco “Tudo Sobre Você”, “Tabu”, a mais experimental “Mãe dos Gatos”, a lamentosa “Todos Os Dias da Semana” e “Burros e Oceanos”.

 

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #01: Teimosia

Nem mesmo a grande vitória no clássico contra o América-MG fez os torcedores do Galo (eu, inclusive) esquecerem a patética partida contra o Nacional do Uruguai pela Libertadores, onde o time não deu um único sinal de vontade em ganhar o jogo e perdeu para uma equipe que, com o máximo respeito (e respeito mesmo, afinal, o time uruguaio é gigante), é muito inferior à nossa.

Levir Culpi, além de ultrapassado, transbordou teimosia. Não é possível que ele não percebeu a urgência de mudança que o time necessitava, e só resolveu fazer as substituições depois que o Nacional-URU havia marcado o seu gol. Até os comentaristas da Fox Sports que, sabemos, são uns puxa-sacos do eixo RJ-SP, estavam incomodados com a falta de coragem do treinador. No final, ele esperou a desgraça acontecer para tomar uma atitude. Patético!

Ainda temos a insistência com o Patric na lateral direita e a maldita formação com TRÊS VOLANTES, numa retranca sem explicação. Agora o Atlético precisa jogar tudo o que não jogou até hoje para conseguir a classificação às oitavas de final. Eu, que sou torcedor, admito: com Levir, nossas chances são pequenas. A não ser que, por um milagre, ele esqueça a alcunha de “burro com sorte” e resolva fazer esse time jogar futebol de verdade. Que as vitórias venham não pelo acaso, mas pela bola jogada.

 

Não ao futebol moderno!

Direto do Forno · Música

Holy Motors – Two Days Passed/Beast In Black (Demos)

Anton Newcombe, líder do The Brian Jonestown Massacre, mantém contato direto com os fãs através de sua conta no Youtube, postando canções e discos de sua banda e de artistas parceiros. Interessante notar que ele coloca o aviso “work in progress” (trabalho em andamento), para sabermos que trata-se de um material não-oficial e que ainda precisa ser lapidado.

A parceria mais recente é com a Holy Motors, banda da Estônia que, segundo o próprio Newcombe, foi à Berlim (cidade onde ele reside) gravar um EP com sua produção. Conhecemos, até o momento, duas demos de canções dessa parceria: “Two Days Passed” e “Beast In Black”.

O resultado é um som etéreo recheado com guitarras atmosféricas que parecem ter sido criadas lá no início dos anos noventa, quando iniciou-se o que conhecemos por shoegaze.

Direto do Forno · Música

The Underground Youth – Last Exit To Nowhere/The Death of The Author (Singles)

Lembro até hoje que conheci o The Undergroud Youth através de uma recomendação do próprio Youtube, a primeira que resolvi clicar para ver do que se tratava. Era o disco Mademoiselle (2010) na íntegra, cuja icônica capa é um retrato da atriz francesa Anna Karina. Aquele pós-punk moderno me acertou em cheio e me fez ficar em transe por um tempo. Anos depois da descoberta, reencontro a banda em dois singles que antecedem um disco aparentemente muito interessante.

“Last Exit To Nowhere” e “The Death of The Author” são as duas primeiras amostras de Montage Images Of Lust & Fear, o próximo disco do conjunto que ganha ainda esse mês, no dia 29, pela Fuzz Club Records.

A primeira, mais acelerada, encanta pelo baixo potente que ganha mais força do que as guitarras em todo seu decorrer. Já “The Death of The Author”, com seis minutos e meio de duração, é a clássica canção post-punk oitentista, com passagens claustrofóbicas que, de repente, ganham força em um estouro de guitarras e bateria, microfonia e gritos desesperados, aumentando ainda mais a tensão e a euforia de quem a ouve. Nesse sobe e desce de emoções, é possível identificar as pitadas de PIL, Joy Division, Iggy Pop em The Idiot e toda aquela veia soturna que pairava na Inglaterra.

Montage Images Of Lust & Fear é um disco para ficar atento.

Direto do Forno · Música

Jeremy Walch – Jolly Birds (Single)

Músicas como “Jolly Birds” fazem do selo belga Luik Records um dos mais legais que conheci desde que iniciei o Numa Sexta.

Jeremy Walch é mais uma das figuras que movimentam as atividades da gravadora e tem um álbum saindo do forno dia 19 do próximo mês, intitulado Scarlet.

Levada por guitarras levemente psicodélicas, a melodia pop agradável e dançante do single “Jolly Birds contagia o ouvinte. E como o próprio artista afirma, é tudo feito em casa.

Direto do Forno · Música

Junodream – Terrible Things That Could Happen (Single)

Por um instante, pensei ter voltado à década de noventa, no auge do rock alternativo triste e introspectivo. Mas não, era apenas o Junodream, mais uma banda que bebe dessa fonte no dias atuais, só que, ao contrário da maioria, ela sabe como usar tal referência em sua própria música.

“Terrible Things That Could Happen” é o single mais recente do quarteto londrino, que ainda não tem um disco cheio em seu catálogo. Apenas alguns singles que servem como amostras para um futuro trabalho.

No Twitter oficial da banda, temos o seguinte: “Canções agridoces para exorcizar demônios. Inspirações incluem artistas do rock do final dos anos noventa e do Trip Hop. Espalhe boas palavras”. Ao meu ver, auto-explicativo. Apenas ouça e deixe-se levar.