Direto do Forno · Música

Orville Peck – Turn To Hate (Single)

Faltando pouco mais de um mês para o lançamento de Pony, disco de estreia de Orville Peck, a Sub Pop disponibiliza mais uma fatia desse que parece ser um trabalho bem diversificado.

Ao contrário dos singles anteriores, “Turn To Hate” tem a cara voltada para o rock alternativo, com as guitarras roubando a cena em acordes mais empolgantes e dançantes. Ainda assim, as características da country music americana são notórias. A letra, mais uma vez sobre amor, ganha muito mais força através da voz barítono do artista, que declama seus versos como um verdadeiro detentor da palavra.

Se “Big Sky” e “Dead of Night” eram marcadas pela melancolia, “Turn To Hate” anima.

Garimpo · Música

Garimpo: Blind Melon – No Rain (Ripped Away Version)

Shannon Hoon foi mais um talento dos anos noventa cuja morte originou-se da dependência química. Devido a uma overdose de cocaína, faleceu em 21 de outubro de 1995. Até então, Hoon liderava o Blind Melon, banda que atingiu certo sucesso comercial com o single “No Rain”, graças ao famoso videoclipe da garota vestida de abelha.

Após a morte do artista, a banda soltou em 1996 uma coletânea intitulada “Nico”, em homenagem à filha do ex-vocalista, Nico Hoon. Esse compilado reúne algumas gravações feitas por Shannon Hoon e finalizadas pela banda, canções inéditas, versões alternativas de algumas já lançadas e até covers.

Uma dessas músicas chama-se “No Rain (Ripped Away Version)”, uma espécie de demo daquela que tornou a banda conhecida mundialmente. O que chama atenção nessa versão é que a áurea hippie e otimista da original é totalmente deixada de lado por um instrumental mais sombrio e emocional. Até a letra da canção, que é a mesma nas duas versões, pode ser interpretada de outra forma somente pelo fato da melodia estar mais melancólica.

Confira ambas abaixo.

 

 

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Spotlights – The Age of Decay (Single)

Confesso que não estava com a audição preparada quando apertei o play para “The Age of Decay”, novo single do Spotlights. A avalanche sonora que atingiu os meus tímpanos foi de uma força avassaladora, algo muito surpreendente para um power trio.

O Spotlights é um conjunto norte-americano que integra o catálogo da Ipecac Recordings, gravadora fundada pelo Mr. Mike Patton, uma das mais interessantes da atualidade. A banda é composta por Sarah Quinteto (vocais e baixo), Mario Quintero (guitarra, vocais e sintetizadores) e Chris Enriquez (bateria).

O disco “Love & Decay” chega por completo em 26 de abril desse ano, e somente a canção citada acima está disponível de forma oficial até o momento. Sobre ela, é um estrondo de cordas, sintetizadores e bateria que seguem a fórmula de calmaria/tempestade, alternando entre melodias mais suaves até os riffs mais pesados entrarem em cena.

Odeio escrever com exageros, mas o impacto de “The Age of Decay” foi muito forte em mim. Eu realmente adorei a canção.

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O novo do The Lemonheads: Varshons 2

“Antes dos anos 90. Antes da internet. Antes de Nevermind. Numa época em que algo chamado ‘música independente’ começou a atingir uma maior audiência, através de rádios escolares, boca-a-boca, e aquela pequena loja de discos que você encontrava em toda cidade… existia uma banda de Boston chamada Lemonheads”.

A descrição da banda em sua conta oficial no Bandcamp é certeira. Há mais de três décadas na ativa, os cabeças-de-limão conhecem todo esse cenário nas palmas de suas mãos. Começaram como pequenos herdeiros do Hüsker Dü, e aos poucos, Evan Dando foi adicionando melodias mais suaves nas canções. O resultado foi o Lemonheads que estourou com It’s A Shame About Ray, em 1992, e é esse som que flerta entre o pop com o rock alternativo que popularizou a banda… Até eles sumirem do mapa.

O líder Evan Dando hora ou outra surgiu com algo novo, vide seu disco solo de 2003 ou o antecessor desse que escrevo sobre, Varshons, lá de 2009, mas nada que causasse tanto alarme. Agora, com apoio da britânica Fire Archive, conhecemos Varhons 2, continuação do projeto citado acima onde Dando recria algumas canções que fazem parte, ao meu ver, de sua formação musical. Em resumo, é mais um álbum de covers.

No geral, é um trabalho satisfatório. Se analisarmos que o Lemonheads tornou-se para Dando uma espécie de passatempo nos anos 2000, sem tanto compromisso, o disco soa como uma brincadeira para o cara, homenageando bandas que fizeram parte de sua história, dando uma roupagem mais agradável do que o habitual. Se a áurea blasé que rondava o som da banda lá nos anos noventa era encantadora, hoje ela soa como mais do mesmo.

Ah, e só mais um detalhe: posso dizer que vivi o suficiente para ouvir o Lemonheads tocando reggae! (Confira “Unfamiliar”)

Varshons 2 parece mais como um divertimento do que uma necessidade em apresentar algo para seu público. Não que ele esteja errado nisso, afinal, é sempre legal ver artistas que gostamos lançando trabalhos novos, mas é um disco que não vai mudar muita coisa em sua discografia.

1. Can’t Forget
2. Settled Down Like Rain
3. Old Man Blank
4. Things
5. Speed Of The Sound Of Loneliness
6. Abandoned
7. Now And Then
8. Magnet
9. Round Here
10. TAQN
11. Unfamiliar
12. Straight To You
13. Take It Easy

Garimpo · Música

Garimpo: Massive Attack – Bela Lugosi’s Dead (Bauhaus Cover)

Mais uma vez com Massive Attack aqui no Numa Sexta em um curto espaço de tempo porque Del Naja, Daddy G e sua gangue resolveram inovar mais uma vez.

Em uma turnê pela Europa para comemorar o vigésimo primeiro aniversário do disco Mezzanine, o grupo surpreendeu os fãs ao apresentar um cover de “Bela Lugosi’s Dead”, clássico do gothic rock/post-punk do Bauhaus. O vocal soturno de Robert Del Naja encaixou bem na canção, enquanto o instrumental manteve-se fiel à original.

Até David J. Haskins, baixista do próprio Bauhaus, ficou encantado com o tributo.

davis j haskins.massiveattack

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Garimpo: Massive Attack na MTV

Com mais de trinta anos de carreira e uma criatividade única, o Massive Attack é um dos conjuntos mais interessantes que surgiram na década de noventa. Misturando vários estilos diferentes e criando uma sonoridade inédita para a época, Robert Del Naja, Daddy G, Andrew “Mushroom” (que já saiu do grupo) e suas inúmeras parcerias atraíram atenção de milhares de pessoas ao redor do planeta.

No Youtube, o canal MASSIVETTACK.IE é um prato cheio para os fãs do conjunto britânico. O vasto acervo conta com apresentações ao vivo, entrevistas e vídeos dos mais diversos tipos sobre os pioneiros do estilo conhecido como Trip Hop.

A boa alma por trás desse projeto reuniu em um único vídeo CINCO apresentações do grupo na MTV europeia durante a década de noventa. A performance de “Karmacoma” é datada de 1996, enquanto as outras quatro canções (“Safe From Harm”, “Teardrop”, “Mezzanine” e “Inertia Creeps”) foram tocadas em 1998, época em que o grupo divulgava o disco Mezzanine, do mesmo ano.

Muitos fãs destacam a faixa “Teardrop”, devido à áurea angelical de Elizabeth Fraser. Mas, para mim, é a obscuridade de “Inertia Creeps” o ponto alto dessa coleção.

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Orville Peck – Dead of Night/Big Sky (Singles)

A figura misteriosa que declama versos sobre amor e desilusão é um cowboy mascarado e com o olhar penetrante. Sua voz é grave e transmite uma alta dose de sentimentos, muito em virtude de suas letras. O instrumental passeia pelo pós-punk, o country e o shoegaze, mas em nenhum momento ela se caracteriza como tal. Ou melhor, ela não se fixa em nenhuma dessas vertentes, e sim captura elementos de cada uma e se molda como uma obra bem diferente.

Em apenas dois singles, Orville Peck, o personagem que toca esse projeto, deixa o ouvinte com o ouvido bem atento aos seus versos e à sua aparência. Não dá para negar que chama muita atenção.

“Pony”, o disco cheio, sai do forno da Sub Pop no próximo mês, no dia 22. Os singles “Big Sky” e “Dead of Night” já estão disponíveis, e as impressões sobre eles estão ditas no primeiro parágrafo.

Não ouvia algo tão original e marcante (pessoalmente falando) há um bom tempo.

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Brant Bjork – Guerrilla Funk (Single)

Durou quase uma década o intervalo entre a gravação e o lançamento de “Jacoozzi”, disco que Brant Bjork gravou e deixou engavetado todo esse tempo, até ser resgatado da poeira para o ouvido de seus apreciadores.

Conforme o release do selo que lançará o disco, o Heavy Psych Sounds Records, em 2010 Bjork adentrou num estúdio na região de Joshua Tree, Califórnia, e durante quatro dias gravou algumas jams sessions por conta própria. Desse improviso, saíram oito canções que o artista empacotou e as batizou como “Jacoozzi”, deixando-as numa prateleira, sem a intenção de lançá-las oficialmente.

Sentindo-se livre de qualquer tipo de pressão, Bjork afirma que tal experiência o relembrou dos tempos de “Jalamanta” seu álbum solo de estreia que chegou às lojas em 1999. “Guerrilla Funk”, o primeiro pedaço desse misterioso disco que nos é apresentado, tem sim suas semelhanças com o debut do músico.

A peça de sete minutos e meio é puro improviso funk, um experimento que peca um pouco, ao meu ver, pelo excesso. Mas pelo fato de ser uma criação com total liberdade artística por parte de Brant Bjork, executando o que ele sentia ali na hora de seus improvisos, sem se prender a estéticas ou regras, torna o resultado o tanto quanto favorável.

“Jacoozzi” chega por completo no dia 05 de abril deste ano. No final de 2018, o padrinho do stoner rock lançou “Mankind Woman”, seu mais recente disco de estúdio, e escrevi sobre o mesmo aqui.

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1919 – Anxiety (Single)

Já falei isso sobre o stoner rock, mas posso afirmar o mesmo para o pós-punk: no sub-mundo do gênero, longe dos flashes e cliques da cultura pop, o estilo vai muito bem. Cada vez mais surgem bandas identificadas com a estética iniciada lá no final dos anos setenta, algumas trazem novidades, outras seguem a linha mais-do-mesmo, mas mantém viva a sonoridade claustrofóbica e agressiva.

O caso do 1919 é diferente, pois eles participaram daquilo que pode ser considerado o início de tal movimento, mas após anos de inatividade (a primeira fase foi de 80 à 85), depois o retorno em 2014 e agora a perda de um dos membros principais do grupo, eles continuam a contribuir com música de qualidade.

“Anxiety” é o primeiro single e faixa inicial de “FUTURECIDE”, disco novo do grupo que chega por completo em 12 de abril deste ano, pela Cleopatra Records. Nos bastidores, lamenta-se a morte de Mark Tighe, um dos fundadores do conjunto. Por outro lado (e à pedido do próprio Tighe), o 1919 superou a tragédia da forma mais certeira: fazendo música.

Longe de minha pessoa querer ser piegas, mas a impressão ao ouvir “Anxiety” é de estar sintonizado numa rádio em plena década de oitenta.

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The Well – Raven (Single)

Vem de Austin, capital texana e uma das maiores cidades dos states, o The Well, power trio de peso e que está prestes a tirar do forno mais um disco de estúdio.

“Death and Consolation” é o título do trabalho e a distribuição fica encarregada pela RidingEasy Records, selo especializado em música pesada, nas mais distintas vertentes do rock’n’roll. Para adiantar, o single “Raven”, segunda faixa do disco, foi disponibilizado para audição.

Se por um lado os riffs remetem ao stoner metal, a ambientação sonora do grupo lembra o Black Rebel Motorcycle Club, como um complemento onde voz e guitarra parecem ecoar em um psicodélico espectro noturno.

O trabalho chega por completo em 26 de abril desse ano.