Direto do Forno · Música

John Garcia And The Band Of Gold – Chicken Delight (Single)

John Garcia é uma lenda da cena stoner rock mundial. Responsável pela voz do Kyuss, banda que praticamente definiu e disseminou o movimento (e apresentou Josh Homme ao mundo), Garcia agora embarca em mais um projeto na sua extensa carreira.

Após o fim do seu principal projeto, ele continuou na ativa em bandas como Slo Burn, Unida, Hermano e Vista Chino, além de embarcar em uma carreira solo nos últimos anos. Agora ele apresenta seu novo conjunto, John Garcia and the Band of Gold, e já marca a data de lançamento do seu disco de estreia: 4 de janeiro de 2019, pela Napalm Records, e leva o mesmo nome da banda.

Uma canção do disco já está liberada para a audição, “Chicken Delight”. Garcia mostra que está em pleno vigor e com sua banda afiada, cheio de riffs bluezados e distorcidos, do jeito que todo amante de stoner gosta.

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Nine Inch Nails – Ahead of Ourselves (Ao Vivo)

“Ahead of Ourselves” é uma das faixas que fazem parte do último EP lançado pelo Nine Inch Nails, “Bad Witch”, que saiu esse ano.

O vídeo abaixo mostra a banda executando a canção em um show da turnê “Cold and Black and Infinite”, que está acontecendo na América do Norte. A apresentação, filmada em preto e branco, é altamente caótica, como quase tudo que Trent Reznor e sua gangue fazem.

Já os vi ao vivo em 2014 e confirmo isso.

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Thom Yorke – Unmade

Thom Yorke e um piano é a perfeita combinação para um momento de total relaxamento e reflexão sobre a vida.

Assim é “Unmade”, faixa que acaba de sair do forno de seu tão falado (principalmente por aqui, nota-se) novo trabalho, o primeiro à frente da trilha sonora de um filme.

A cada novidade, percebe-se que a trilha de “Suspiria” vai muito além do que um simples acompanhamento do filme, mas, sim, um disco solo, autoral e poético, altamente comovente, como tudo que esse rapaz fez em sua carreira.

“Unmade” é um ponto ainda maior em sua trajetória. Se as anteriores causavam apreensão no ouvinte, essa os leva ao equilíbrio.

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O novo do Joe Strummer: Joe Strummer 001

Dezesseis anos se passaram entre a morte de Joe Strummer e o lançamento de “Joe Strummer 001”, um compilado de 32 canções que resgatam o trabalho do artista, passando por todos os períodos de sua carreira. Após seu falecimento, foram encontrados vários manuscritos e fitas com gravações caseiras, e é desse material que surgiu essa coleção.

Aqui tem de tudo: rockabilly, reggae, new wave, folk, dub, canções acústicas, rock ‘n’ roll, enfim, é um prato cheio para os fãs do cara e também uma boa porta de entrada para quem está afim de conhecê-lo melhor.

O mais incrível é notar que quase nada do que é lançado atualmente chega no nível do trabalho de um artista cuja morte completa quase duas décadas.

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Thom Yorke – Hands Off the Antarctic (Greenpeace)

É, parece que o velho Thom está gostando desse lance de criar trilhas sonoras. Não bastasse estar ocupado o suficiente produzindo a trilha de “Suspiria” (ao que tudo indica, será brilhante), o líder do Radiohead lançou uma faixa especial em parceria com o Greenpeace, em apoio à proteção da região da Antártida.

O  vídeo por si só já seria belíssimo, com imagens em preto e branco e em alta definição de geleiras, céus nublados, aves e animais marinhos e o oceano, com toda a sua exuberância.

Claro que saber que Thom Yorke é o idealizador por trás da canção ajuda a divulgá-la e eleva-a a um patamar ainda maior, mas por ser instrumental, tenho certeza que não causaria tanto impacto caso fosse criada por um artista de menor expressão. Mesmo assim, é uma música magnífica, com batidas eletrônicas pulsantes e sons etéreos que aumentam ainda mais a beleza do vídeo.

Mais um ponto positivo pro cara.

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Jair Naves – Veemente

Jair Naves é um dos artistas dessa “atual geração” que mais admiro, principalmente seus trabalhos em carreira solo. Letrista de primeira e dono de uma voz pouco usual, sabe como poucos usar as palavras para traduzir o que muitos de nós, meros mortais, sentimos.

Nesse atual cenário político em que vivemos (e que está longe de acabar, por sinal), ele observa e descreve com maestria o que tem acontecido nas relações humanas, principalmente as que envolvem diferenças de opinião: a intolerância, o uso da religião como verdade absoluta, a alienação, a troca do diálogo pela violência, a mentira como informação, enfim, segue-se ladeira abaixo. E isso vale para os dois lados (óbvios) da moeda.

No dicionário, “Veemente” é explicado como algo enérgico, poderoso, intenso.

“Veemente”, de Jair Naves, nada mais é que um soco no estômago da sociedade brasileira.

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O novo da Tess Parks & Anton Newcombe

Ao dar play nesse novo disco da Tess Parks junto com Anton Newcombe (The Brian Jonestown Massacre), a sensação é de estar de volta ao final dos anos 60, fase de ouro do rock psicodélico.

Se a banda de Newcombe, na ativa desde os anos 90, é influência clara na obra solo da artista canadense, a junção das duas figuras em um único projeto não poderia ser diferente. As canções possuem uma pegada meio blasé, muito em função da voz arrastada de Tess Parks, com as guitarras roubando a cena com vários solinhos, wah-wah e de forma bem lenta, o que deixa o ouvinte ainda mais entorpecido.

A voz de Tess Parks traz, em alguns momentos, a delicadeza de Hope Sandoval (Mazzy Star), mas numa vibe totalmente diferente. Aqui, a leveza não é acompanhada da melancolia, mas sim pela viagem sonora criada pelos dois artistas, tanto pelas letras quanto pela sonoridade.

O destaque fica com a faixa inicial, “Life After Youth”, e com os dois singles lançados anteriormente, “Please Never Die” e “Right On”, essa encarregada de finalizar o registro de forma brilhante e muito chapada.

Ouvi o disco algumas vezes e ele funciona perfeitamente como tema ambiente, para deixar rolando enquanto se faz outra coisa (lavar louças, por exemplo), mas ele se torna ainda mais interessante quando é ouvido com atenção e com fones de ouvido, de preferência. As guitarras entrarão na sua mente e, quando menos perceber, você já estará flutuando.

Um dos trabalhos mais legais do ano até aqui.

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J Mascis – Web So Dense

“Web So Dense” é mais um passo dado para o lançamento de “Elastic Days”, novo disco solo de J Mascis (Dinosaur Jr.) que sai em novembro, dia 6.

O artista tem uma forma muito sincera e pessoal para falar de amor, unindo frases concretas com outras de tom mais poético, somadas à sua voz cansada que dá todo o tom necessário para o que deseja transmitir. “Web So Dense” é isso: uma canção de amor.

Sem dúvidas, a mais down até agora.

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O novo do Alice in Chains: Rainier Fog

Seria constatar o óbvio afirmar que a sonoridade da banda pode ser divida entre “Antes de Layne Staley” e “Depois de Layne Staley”. A chegada de William DuVall não trouxe somente um exímio vocalista para assumir tal posto, mas também um ótimo guitarrista, que junto a Jerry Cantrell, agregou um peso extra para o som já característico da banda.

“Rainier Fog” é um trabalho homogêneo: se mantém bastante pesado durante todo o seu decorrer. Até mesmo nas canções com um teor mais melancólico, como “Fly” e “Maybe”, os riffs poderosos de Cantrell marcam presença. Aqui, o trabalho vocal entre DuVall e Cantrell está perfeito, como se, enfim, tivesse atingido o ápice do entrosamento.

O ponto forte fica na tríade inicial com “The One You Know”, “Rainier Fog” e “Red Giant”, que abrem os disco de forma primorosa e garantem que o ouvinte não se satisfaça enquanto não terminar de ouvir todo o restante. E no final, a bela “All I Am”, com pouco mais de sete minutos, dá os últimos tons do álbum de forma bem comovente.

É como se “Rainier Fog” trafegasse quase por completo sob uma tempestade furiosa, e terminasse debaixo de uma garoa tranquilizante.

Quando “Black Gives Way To Blue” (2009) foi anunciado, muita gente (ou a maioria?) torceu o nariz. Era inimaginável ver o Alice in Chains sem a presença de Layne. Mas Jerry Cantrell e sua trupe seguiram em frente, deram mais um passo com “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013), e agora, com “Rainier Fog” (2018), cravaram de vez a nova formação como uma banda autêntica, com uma identidade própria e que tem muita lenha ainda a queimar.