Música

Coisas Demais!

Quando criei o Numa Sexta, há um ano atrás, queria fazer algo diferente do que estava acostumado a ver. Acompanho vários sites/blogs de música, alguns bem interessantes (e originais) e que tento me espelhar, outros nem tanto e que não passam de cópias de sites estrangeiros, e todos seguem um estilo bem parecido: apresentam listas, resenhas, entrevistas, muitas vezes sobre o mesmo conteúdo e poucas colunas, digamos assim, que fogem do padrão.

Nunca foi a intenção do blog tornar um mais do mesmo, mais um a falar sobre o que todo mundo fala. Destinei a coluna “Direto Do Forno” para escrever sobre lançamentos de artistas que me agradam e que acho interessante compartilhar, mas não era de meu agrado tornar esse assunto tão recorrente e lotar os posts somente com isso.

Porém, o mês de setembro está sendo um período com MUITOS lançamentos, principalmente de bandas que gosto e que não são tão populares assim, tornando isso uma ferramente para as pessoas descobrirem novos horizontes dentro da música, nos mais variados estilos.

Estou com um rascunho enorme, compilando esses discos que estão para chegar, e vou postá-lo somente amanhã, para não deixar esse texto muito grande.

Esse foi, de certo modo, um pedido de desculpas pela mesmice. Espero que compreendam, e que não pensem que o autor entrou na zona da conforto.

Obrigado.

Direto do Forno · Música

Nem Tão Do Forno Assim: At Home With Satan’s Pilgrims

Uma das bandas de instrumental surf rock mais legais que conheço está relançando o seu disco de estréia.

Originalmente lançado em 1994, “At Home With Satan’s Pilgrims” tem o melhor do surf rock, digno de um filme do Tarantino. Muita guitarra (muita mesmo!), um baixo bem marcante e claro, uma bateria alucinante e incansável, que não para um só segundo, enquanto as guitarras dançam e se envolvem em riffs bem rápidos e agressivos.

O relançamento, previsto para o dia 20 desse mês, traz as opções de CD, vinil e um vinil especial em vermelho, além do formato digital em alta qualidade.

Enquanto escrevo esse texto e ouço as músicas, as pernas não param de balançar, de tão bom que é esse álbum. Vale a pena dar uma conferida não só nele, mas em toda a discografia do conjunto que faz um surf rock retrô de primeira linha.

Música

Heart-Shaped Tracks – A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero

Por minhas leituras diárias no blog do Marcelo Costa, o Scream & Yell, me deparei com um disco-tributo diferente do que estou habituado a ver por aí. O nome do trabalho é “A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero” e traz versões das músicas nos mais diversos estilos, passeando pelo soul, jazz, R&B e chegando até o trip hop.

Na primeira audição, fiquei bem surpreso. O início de “Serve the Servants” já clareou minha mente para o que estava por vir. Com certeza, seria algo bem fora da minha zona de conforto, afinal, sou admirador confesso e profundo do disco, e precisava expandir minhas ideias para compreender essas releituras. Porém, à medida que o disco seguia, ficava mais fácil separar a surpresa/espanto inicial pela compreensão e admiração pelo “novo”. As letras permaneceram, mas se tornaram músicas bem diferentes.

Confesso que algumas não me cativaram nem um pouco, caso de “Dumb” e “Radio Friendly Unit Shifter”, porém, o desagrado é mínimo perante o resultado das versões de “Francis Farmer…”, “Serve The Servants” e “Milk It”, por exemplo, os pontos altos do tributo e que ficaram muito boas em suas novas interpretações. “All Apologies” ganhou um tempero ainda mais dramático do que a original, mais lenta e melancólica, finalizando de forma positiva o disco.

Deixei aqui as minhas impressões, porém, seria interessante ao leitor dar uma olhada na matéria principal, o chamado “faixa a faixa”, detalhando e dissecando música por música, além de um texto introdutório bem esclarecedor sobre o projeto. O link está aqui.

Direto do Forno · Música

Do Forno: O novo do Kurt Vile

Anunciado o novo disco de estúdio do cantor e compositor estadunidense Kurt Vile, um dos artistas mais interessantes que surgiram no século 21.

“Bottle It In” está com o lançamento marcado para o dia 12 de outubro desse ano, pela Matador Records. Junto ao anúncio do álbum, o videoclipe da canção “Bassackwards”, uma espécie de psicodelia folk com quase dez minutos de duração, também foi liberado.

Com uma estética bem vintage, contendo alguns glitches e cores desbotadas, o vídeo mostra vários momentos de um grupo de pessoas se divertindo em uma praia. Pela sonoridade e letra da música, é como se o artista revisitasse um passado distante através de registros da época de suas lembranças.

Vale mencionar que Kurt Vile já havia lançado um novo single algumas semanas atrás, “Loading Zones”, porém, não encontrei informações se ele estará presente no novo disco.

Confira abaixo a capa de “Bottle It In” e o videoclipe de “Bassackwards”.

Direto do Forno · Música

Do Forno: Thom Yorke – Suspirium

A mídia em peso já deve ter falado ou estar falando sobre o novo lançamento de Thom Yorke, porém, como sou um grande admirador dele e do Radiohead, vou entrar na onda e colocar aqui embaixo o link de “Suspirium”, disponibilizado ontem para audição.

Trata-se de um novo projeto do frontman do Radiohead, o seu primeiro à frente de uma trilha sonora para um filme. “Suspiria”, lançado originalmente em 1977 e dirigido por Dario Argento, ganhará um remake por  Luca Guadagnino, diretor de “Me Chame Pelo Seu Nome” (um dos melhores filmes que vi esse ano).

A música em questão, “Suspirium”, é uma balada bem gostosa de ouvir, levada por um piano e alguns instrumentos de sopro ao fundo, acompanhando os doces versos de Thom durante o seu decorrer.

Quarta Parede

+1 Filme: Boneco de Neve

Nem Michael Fassbender conseguiu salvar a bomba que é o filme “Boneco de Neve”, baseado no ótimo livro do norueguês Jo Nesbo.

A obra impressa, que é narrada em terceira pessoa e alterna capítulos passados no presente e alguns flashbacks, conta a história de Harry Hole, um dos melhores (se não o melhor) detetives da polícia norueguesa e único do país a capturar um serial killer (isso na Austrália, se a memória não estiver falha) e Katrine Bratt, sua nova parceira de investigação, na busca ao chamado “Boneco de Neve”, suspeito de ser o primeiro serial killer a atuar na Noruega.

O livro surpreende com uma exuberante riqueza em detalhes, personagens muito bem desenvolvidos e momentos de pura tensão, enquanto o filme peca ao conduzir a história de forma rasa e simplória, deixando de lado o suspense (praticamente inexistente) e adotando uma forma mais direta em desenrolar os acontecimentos.

“Boneco de Neve” foi a terceira aventura que fiz no campo da literatura policial e, por coincidência, todas foram adaptadas ao cinema. Porém, ao contrário de “Boneco de Neve”, as outras duas histórias foram muito bem contadas na sétima arte.

Uma delas é “O Colecionador de Ossos”, onde acompanhamos Lincoln Rhyme, um brilhante investigador cuja carreira é interrompida após um acidente que o deixa tetraplégico. Porém, com a mente ainda funcionando, ele utiliza todo o seu conhecimento e percepção na busca pelo assassino que está assustando a população com métodos não-convencionais para levar suas vítimas à morte, tendo como base a Nova York do início do século 20. O filme baseado no livro tem a presença de Denzel Washington e Angelina Jolie nos papéis principais e é muito bom.

A outra é nada menos que “O Silêncio dos Inocentes”, um clássico absoluto do cinema. Aqui temos Clarice Starling, uma ainda novata do FBI que, a partir de conversas com o psiquiatra/psicopata Dr. Hannibal Lecter, investiga pistas para encontrar Buffalo Bill, um serial killer que esfola mulheres e as despeja em rios por vários estados diferentes. A atuação magistral de Anthony Hopkins como Lecter tornou o vilão um ícone da cultura pop.

É certo assumir certa injustiça ao exigir que um filme de duas horas consiga extrair por completo um tijolo de 418 páginas, mas o diretor Tomas Alfredson poderia, sim, ter contado a história de forma mais fiel e intensa quanto o livro, assim como os diretores de “O Colecionador de Ossos” e “O Silêncio dos Inocentes” fizeram. Decorrer uma investigação de modo tão raso e monótono foi como derreter o próprio boneco antes mesmo que ele tivesse alguma forma.

Os três livros eu encontrei na Americanas de LEM e todos com um ótimo preço, numa época em que a loja não estava infestada de livros de auto-ajuda e “biografias” de youtubers. Já os filmes, digamos que utilizei formas “alternativas” para assisti-los.

(O link do texto no blog da Immagine está aqui.)