Direto do Forno · Música

A nova do Chris Cornell + Por que odeio lançamentos póstumos (a maioria)

Divulgado um box intitulado “Chris Cornell” contendo canções que resgatam todas as fases da carreira do artista, que tirou a própria vida em maio do ano passado.

A faixa “When Bad Does Good” é a única inédita que fará parte desse lançamento, considerando que o cover do Prince, “Nothing Compares 2 U”, já possui um vídeo extensamente divulgado.

Ao meu ver, desnecessário e sem sentido o lançamento dessa coletânea. Para os fãs, é um presente e tanto, mas ela soa mais como um caça-níquel do que uma lembrança do artista, cuja morte ainda é recente e lamentada por muitos. Por mim, inclusive, que tenho em Cornell uma das maiores (se não a maior) referência quando o quesito é escrita.

“When Bad Does Good”, por exemplo, ganhou uma produção que a torna forçadamente triste, apenas para tocar ainda mais forte na ferida dos seus admiradores.

A versão deluxe terá um livro, vários LP’s, CD’s, textos de seus ex-colegas de banda e fotos raras. O box será lançado no dia 16 de novembro.

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Jeff Tweedy – Some Birds

Jeff Tweedy, principal cabeça-pensante do Wilco (uma das minhas bandas favoritas de sempre), já está com um novo trabalho solo marcado. O sucessor do ótimo “Together At Last” chega no dia 30 de novembro e se chamará “Warm”.

Ao que parece, será um trabalho de inéditas e não de versões acústicas de seu imenso catálogo, como foi em “Together At Last”, que revisitou canções desde o Wilco até projetos mais desconhecidos, como o Golden Smog e o Loose Fur.

O single “Some Birds” saiu junto ao anúncio do disco e e seu vídeo traz uma característica notável: o humor do artista.

Jeff Tweedy coloca um humor bastante peculiar em sua arte. Seja no videoclipe bem-humorado de “Low Key”, música lançada em seu outro projeto solo, “Tweedy”, ou na capa de “Shmilco”, o último disco de estúdio lançado com o Wilco, que possui uma arte do cartunista Joan Cornellà, conhecido pelo teor forte de humor negro em seu trabalho.

Em “Some Birds”, enquanto a música é executada ao fundo, observamos Tweedy em um salão de beleza, tendo seus cabelos cortados em meio a caras e bocas do artista dublando a canção, e no espelho, algo como sua imaginação, uma versão mais ousada de si mesmo, tocando guitarra e cantando. Bem, ao menos assim eu entendi.

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The Smashing Pumpkins – Silvery Sometimes (Ghosts)

Já era esperado, depois de um retorno triunfal e um revival das origens, que o Smashing Pumpkins lançaria um novo disco de estúdio. Ele agora tem nome, data de lançamento e até o tracklist.

“Shiny And Oh So Bright Vol. 1/LP: No Past. No Future. No Sun.” será o nome do novo trabalho e chega às lojas (físicas e digitais) no dia 16 de novembro.

Para tal anúncio, também foi divulgado o lyric video de “Silvery Sometimes (Ghosts), que, ao meu ver, está em uma ponte entre a sonoridade dos primeiros álbuns com os que foram lançados recentemente, principalmente com o último, “Moments To An Elegy”, de 2014.

Vale lembrar que o primeiro single, “Solara“, já havia sido lançado algumas semanas antes.

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J Mascis – Everything She Said (Lyric Video)

Aos poucos vamos conhecendo a cara de “Elastic Days“, novo disco solo de J Mascis, líder do Dinosaur Jr. Dessa vez, foi liberado um lyric video para “Everything She Said”, a segunda canção oficialmente disponibilizada até então.

O vídeo é simples: de fundo, um reflexo de árvores em algo que parece uma poça d’água, enquanto a letra da canção acompanha a mesma. Durante o solo, a imagem muda para o rosto estático do artista, com o velho semblante sonolento/preguiçoso (assim como sua bela voz) olhando direto nos olhos do espectador. No segundo solo, mais curto, o cenário muda para um pássaro preto, bem nonsense.

Por ser tão simples quanto o vídeo, a letra da música torna-a ainda mais gostosa de se ouvir. Gostei mais dessa do que “See You At The Movies”.

Música

O Riff Mais Ameaçador da História

Peguei o título de um comentário no Youtube sobre a música “History of Bad Men”,  do Melvins, e que explana bem o que quer dizer. Seu início parece estar introduzindo uma tempestade, um desastre da natureza, a chegada de um monstro gigantesco ou qualquer catástrofe digna de cinema.

Curioso é que esse riff (ou um bem parecido) também pode ser ouvido em mais duas músicas, uma inclusive é do próprio Melvins e lançada anos antes de “History of Bad Men”.

“Night Goat” saiu em “Houdini”, disco dos caras lançado em 1993, enquanto “History…” está em “(A) Senile Animal”, de 2006.

A terceira faixa é “Filth Pig”, do Ministry, lançada no disco de mesmo nome em 1996.

Ou seja, em ordem cronológica, o caos (no bom sentido) começou com “Night Goat”, um tempo depois, o Ministry usou o mesmo riff (sem problema algum) e, ao seu modo, o transformou em “Filth Pig”, e o próprio Melvins, anos mais tarde, o deixou ainda mais apavorante com “History of Bad Men”.

Então, pode ser no modelo do Melvins ou do Ministry, cujas sonoridades são bem diferentes (apesar de uma semelhança aqui e outra ali), esse petardo sonoro caiu muito bem e resultou em músicas sensacionais.

 

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Electric Octopus – Pipe Dream Train

A princípio, pensei que fosse um EP, até olhar a duração das músicas. “Pipe Dream Train” começa com “Kachina”, com quase dezoito minutos de duração, e encerra com “Rising Vibrations”, com trinta e dois.

Sim, duas músicas apenas e um disco com quase uma hora de pura viagem. Aliás, assim eu definiria esse disco: pura viagem.

Ora distorcido, com uma pitada de funky e cheio de wah-wah, ora mais limpo e bluesy, alternando em picos mais velozes e outros mais relaxantes, é um disco para ouvir com atenção, concentrado em todos os seus elementos.

“Pipe Dream Train” foi lançado na última quinta-feira, dia 13.

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Do Forno: + Satan’s Pilgrims!

O relançamento do primeiro disco de estúdio parece ter ativado os ânimos (e a inspiração) dos caras do Satan’s Pilgrims. Em menos de trinta dias, dois singles bem animados foram liberados via BandCamp.

Cada um contém duas músicas que seguem o estilo da banda: muita guitarra, muita distorção e baixo e bateria alucinados.

O primeiro, “Splashdown b​/​w Dr. Mortis Single”, saiu dia 18 de agosto e traz duas canções que estrearam no The Asbury Park Surf Music Festival, festival que aconteceu em Nova Jersey, totalmente voltado para a surf music.

Satan’s Pilgrims – Splashdown b​/​w Dr. Mortis Single

Já “Taco Truck​\​Neahkahnie” foi disponibilizado no último dia 14 e possui um contraste bem interessante: “Taco Truck” mantém a rapidez característica, enquanto “Neakahnie” desacelera e mantém um clima mais viajante.

Satan’s Pilgrims – Taco Truck​\​Neahkahnie Single

+Filmes

+1 Filme (Ou Seria +1 Livro?): Drive

(O link original para o Blog da Immagine está aqui.)

Uma das melhores e mais rápidas leituras que fiz esse ano, “Drive”, de James Sallis, é um prato cheio para amantes de histórias sobre crimes, ambientes sujos, personagens enigmáticos e carros, muitos carros. O Piloto, personagem principal cujo nome nunca é revelado, é o centro da história.

Ele, que costuma dizer que “apenas dirige”, é o melhor no que faz. Durante o dia, trabalha como dublê de filmes. À noite, faz serviços fora da lei. E ele deixa bem claro que sua única função é conduzir o veículo até o local, esperar o ato e fugir dali. Só que tudo desanda quando um dos assaltos não ocorre como esperado e, a partir daí, a trama gira em torno do Piloto tentando salvar a sua própria vida.

Seguindo uma linha do tempo não-linear, a estrutura pode deixar o desenrolar dos acontecimentos meio confuso a princípio, sendo necessário retornar algumas páginas em certos momentos para compreender melhor em qual parte do tempo determinado capítulo está. Porém, isso não atrapalha o entendimento da história. E alguns deles centram-se em outros personagens, como o Doutor e o vilão, Bernie Gold, o que deixa o livro ainda mais interessante.

O texto possui um vocabulário bem coloquial, cheio de gírias, palavrões e um humor negro bastante refinado. Os locais são bem detalhados, e o leitor, de certa forma, entra no ambiente. E por se tratar de relações entre personagens cujas atitudes são bem questionáveis, o teor de algumas cenas é de bastante violência.

Assim como o livro que falei sobre no último texto, “Drive” também ganhou uma adaptação (bem elogiada e vencedora de prêmios, por sinal) para os cinemas. Ryan Gosling fez o papel do Piloto e, apesar de achá-lo um bom ator, sua atuação não me convenceu e as mudanças da adaptação em relação ao livro me incomodaram. Entretanto, a película é de uma fotografia e direção impecáveis, lembrando muito a estética de filmes noir.

Falando em modo particular, até tento, não consigo desassociar a obra literária da cinematográfica. Logo, o filme não é tão brilhante quanto o livro. Se o leitor consegue fazer tal distinção, os dois serão de todo agrado.

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Lançamentos de Peso

Conforme prometido no texto de ontem, aqui estão alguns lançamentos recentes e futuros que separei para os leitores conhecerem. Talvez com exceção do Joe Strummer, são bandas que não costumam figurar nas grandes mídias, mas que fazem um som digno de se apreciar com o volume bem alto.

1 – Red Fang – Listen To The Sirens (Tubeway Army Cover)

A banda estadunidense de heavy metal/stoner rock disponibilizou no final de agosto um cover de “Listen To The Sirens”, originalmente lançada pelo Tubeway Army, grupo punk/new wave liderado por Gary Numan. As versões até se assemelham, com diferença apenas na sonoridade mais pesada que o Red Fang adotou, trocando os sintetizadores por riffs mais agressivos. Ouça e compare ao seu gosto.

2 – Melvins & Al Cisneros – Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath Cover)

O Melvins é um dos nomes mais fortes quando o assunto é música pesada e, ao meu ver, o grupo ideal para executar uma canção do Black Sabbath à sua maneira, sem perder a pegada da original. Para esse trabalho, eles tiveram a companhia de Al Cisneros, baixista e vocalista do Sleep, outra banda porrada, e gravaram uma versão de “Sabbath Bloody Sabbath”, canção essa que, para mim, é uma das melhores da banda na fase Ozzy.

Aqui, eles desaceleram e aumentam o grave dos riffs, tornando o som ainda mais denso e pesado do que o habitual.

Não há informações (até o momento) de que esse cover fará parte de algum disco da banda e/ou coletânea.

3 – Stoned Jesus – Pilgrims

“Pilgrims” é o nome do novo disco do Stoned Jesus, trio ucraniano de stoner metal e que foi lançado no dia da nossa independência. Canções longas e pesadas com muita psicodelia, típico do chamado desert rock.

É bem difícil encontrar informações sobre a banda em português, mas dá para ouvir o som dos caras tanto no Youtube quanto na página deles no BandCamp. Vale muito a pena.

4 – All Them Witches – ATW

O novo do trabalho do All Them Witches será intitulado “ATW” e sai no dia 28 de setembro. Também como um trio, a banda faz um som pesado de primeira linha. Até o momento, duas faixas estão disponíveis para audição: “Fishbelly 86 Onions” e “Diamond”, ambas passando dos seis minutos de duração e com muita pitada de blues e stoner, uma verdadeira viagem sonora.

*Atualização:

A banda lançou um videoclipe bem sombrio para “Diamond”, canção que fará parte do próximo disco intitulado “ATW”. Nesse trabalho, música e vídeo se completam em um tom macabro onde, ao que parece, o personagem está possuído por alguma força das trevas.

5 – Joe Strummer – Joe Strummer 001

Tenho escutado bastante o trabalho do Joe Strummer pós-The Clash, e me surpreendi com a notícia de que um disco póstumo chamado “Joe Strummer 001” está para sair também no dia 28 (mesmo dia do lançamento de ATW). Será repleto de materiais raros e inéditos da carreira do artista, atravessando toda a sua carreira, até mesmo antes do The Clash.

“London Is Burning”, até o momento, é a única faixa liberada para o público e mostra todo o talento de Strummer como compositor e visionário, já que a canção soa bem atual em relação aos acontecimentos recentes não só na Inglaterra, mas em todo o planeta.