Crônicas

Gravidade

(Meu mais recente texto publicado no blog da Immagine. Link aqui.)

Há algumas semanas, o American Park se despediu de LEM e foi levar sua diversão para outra cidade. Com isso, aquela praça dos três poderes voltou ao seu marasmo habitual. Agora, bate uma tristeza passar pela rotatória da mesma, ao lembrar os bons momentos.

Foi a primeira vez que fui a um parque e participei das atrações. Gostei tanto que, ao todo, fui quatro vezes. A sensação de desafiar o medo da morte, do desconhecido e a gravidade me fez muito bem, algo que não sentia há bastante tempo.

É incrível como nosso cérebro resolve travar batalhas contra nós mesmos nesses momentos de apreensão. Ao trancar o banco de um brinquedo giratório que, como um pêndulo, balança a uma altura muito, mas muito alta, os pensamentos que invadiam minha mente eram os piores possíveis. “Isso vai cair igual naquele filme” ou “meu banco vai se abrir e vai acontecer uma tragédia”, e só piorava. Porém, ao repetir o brinquedo mais duas, três vezes, o medo dava lugar à euforia, à sensação de sentir-se vivo. Foi aí que eu compreendi que sentir medo é se sentir vivo e que é preciso encarar o desconhecido.

Posso levar isso para muitas situações da minha vida, e vou além: muitos dos meus erros ou falhas se derivam de não encarar o desconhecido. No campo da escrita é o exemplo mais claro. Muitas idéias que tenho poderiam ser mais bem desenvolvidas (muitas delas não chegam nem ao papel) justamente por não colocá-las em prática e trabalhar para torná-las algo concreto. Mas o fato de elas serem tão boas no campo da IDEIA me causa receio em colocá-las no campo do MATERIAL, por medo de não conseguir desenvolvê-la o suficiente. Ou seja, falta encarar o desconhecido.

Esse assunto mesmo permaneceu no campo da IDEIA por muito tempo e só agora resolvi desenvolvê-lo.

Foi preciso me arriscar contra a gravidade, sentir muito medo para aprender a encarar o desconhecido. Agora, só falta colocar em prática. Mas isso eu deixo para uma próxima hora.

A princípio, sigo como Maynard James Keenan: eu escolho viver.

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