Crônicas · Música

Contexto histórico?

(Meu primeiro texto que foi ao ar no blog da Immagine, no dia 3 de julho de 2017. Link aqui.)

Olá pessoal, estou iniciando hoje o meu espaço particular aqui no site e procurarei trazer, basicamente, textos sobre música. Não, não pretendo ser nenhum crítico chato ou avaliador de discos, bandas ou shows, apenas irei apresentar e comentar álbuns que fizeram ou fazem parte da minha vida, com curiosidades e informações. Uma vez ou outra posso trazer algo sobre cultura “pop” em geral, mas meu foco maior será na área musical.

Para iniciar esse projeto, quero desconstruir algo que percebo com muita regularidade em blogs pela internet: a necessidade que alguns especialistas no assunto têm em explicar analiticamente o seu gosto por algum trabalho. Por exemplo, é muito difícil ver alguma postagem em que o autor coloca o “The Velvet Underground and Nico”, um dos álbuns mais importantes da história da música, no topo de sua lista de melhores discos simplesmente pelo fato dele ter sido realmente o melhor disco que essa pessoa já ouviu, sem precisar explicar a sua importância histórica. Sempre percebo uma necessidade de justificar essa opinião com um contexto ou alguma referência histórica, alguma explicação técnica que, muitas vezes, é apresentada sem sentido. Será que é necessário apreciar o “The Piper at the Gates of Down”, o “Thriller” ou o “Beggar’s Banquet” simplesmente pela importância que eles tiveram na história da música, sem considerar o que essas músicas transmitem ao ouvinte? Qual o problema em dizer que tal trabalho é o melhor que você já apreciou apenas pelo fato de ter sido o que mais te fez sentir emoções boas ou o que mudou o seu modo de enxergar o mundo? Absolutamente nenhum.

Posso estar sendo chato, criando polêmica sem necessidade ou falando besteiras, mas gostaria de exemplificar a minha ideia com minha indicação de hoje. Há 15 anos, o Wilco, uma de minhas bandas preferidas, lançava aquele que considero, até o momento, o melhor disco do novo milênio e um dos mais marcantes da minha vida: Yankee Hotel Foxtrot.

Não me aprofundo em detalhes técnicos, pois não sou nenhum especialista, mas como bom apreciador, percebo que YHC tem uma ótima produção, com arranjos que fogem do convencional (certa mescla de experimentalismo com um forte apelo pop) e uma banda que estava no auge de seu entrosamento. Mas o que realmente mexeu comigo foram as emoções passadas pelas músicas e como eu reagi e absorvi as suas mensagens. As letras de Jeff Tweedy possuem uma carga emocional muito forte, com versos simples, porém belíssimos, que ficam ainda mais nítidos quando são cantados por sua voz arrastada e melancólica. Suas letras se encaixam perfeitamente em momentos que passei, em ótimas memórias que guardo comigo, ou seja, é a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. E isso já basta para que eu o julgue com tamanha importância.

Anos depois de lançado, é inegável que o disco já possui o seu contexto histórico, a sua importância no cenário musical, o impacto que seu lançamento conturbado causou e contribuiu para chegarmos nesse novo modelo de distribuição de músicas, além da influência que artistas novos tiveram… E isso é muito importante. Mas o que quero passar nesse texto de hoje é que, assim como toda forma de arte, a emoção é o alcance principal que o artista almeja, e não há problema nenhum em reconhecermos isso. Até a próxima!

Ouça-o na íntegra:

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