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Naufrágio

Meu é o coração que tu seguras
Mas que deixas escapar entre os dedos calejados.
Se Jesus morresse bem na minha frente,
Eu poderia dizer que estava sem tempo?
Toque em meus ossos  para que eu me sinta vivo
Ou, enfim, já me conforme com o esquecimento.

Com as portas abertas e os destinos cruzados
Vivemos o mesmo sonho naufragado;
Atirados ao mar do desespero
Sem saber onde está a superfície,
Sem saber nadar,
Sem saber de nada.

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