Diversos · Língua Presa · Música

Domingo de Páscoa

“Domingo de Páscoa”, do álbum Só Vive Duas Vezes, do Fellini. Já escrevi um breve texto sobre o disco aqui.

Cadão Volpato é ótimo em criar cenários em suas canções, mesmo com letras tão desconexas. E a canção tem tudo a ver com o feriado do final de semana.

O blog retorna após o mesmo, na segunda. E lembre-se: depois do domingo de páscoa, a segunda é o dia. Tudo volta ao normal.

“Depois do Domingo de Páscoa,
Segunda é o dia
Olhar uma por uma todas as quaresmeiras
É só o galo cantar e acordar o seu Pinto
Não é todo dia que se tem a vida inteira
O sol se levanta quando alguém cai da cama
As mulheres correndo que o ônibus vem vindo
Os judeus numa boa e os cachorros latindo”

Diversos · Língua Presa · Música

Adeus, Mark Hollis

O Talk Talk nasceu em Londres, no ano de 1981, em meio à febre do synthpop, onde os sintetizadores eram os principais regentes das canções. (Bandas como o A-ha, Eurythmics, Soft Cell e Tears For Fears são ótimos exemplos do estilo.)

Formada por Mark Hollis (guitarra, piano e voz), Lee Harris (bateria) e Paul Webb (baixista) e embarcando nessa onda, o sucesso veio rápido, com alguns singles estourando em vários países ao longo da Europa. No terceiro disco, The Colour of Spring, as mudanças começaram. As melodias ficaram mais complexas e as letras de Hollis mais reflexivas, o que não impediu o estouro de músicas como “Like’s What You Make It” e “Living In Another World”, por exemplo.

A partir de Spirit of Eden, de 1988, a casa caiu de vez. Trocando os sintetizadores e melodias pop por longos improvisos jazzísticos e experimentações sonoras com camadas e atmosferas mais sombrias, o Talk Talk atingiu o ápice de sua criatividade, principalmente no álbum seguinte, o quinto e último da discografia da banda: Laughing Stock, lançado em 1991. Poucos meses depois, a banda encerrou suas atividades.

Sobre as vendas, foram decepcionantes se comparadas aos trabalhos anteriores. Porém, isso é o de menos. Os dois discos são considerados precursores do que conhecemos hoje como post-rock (junto ao Spiderland, do Slint) e citados como dois dos maiores álbuns lançados durante aquele período.

Em 1998, Mark Hollis aventurou-se em uma carreira solo e lançou um único disco auto-intitulado. Foi seu último trabalho antes de se aposentar da indústria da música.

Há pouco menos de dois meses, em 25 de fevereiro e aos 64 anos, Hollis veio a óbito.

Se eu fizesse uma lista com os dez melhores discos que já ouvi até hoje, sem dúvida alguma, Laughing Stock estaria na primeira metade.

Direto do Forno · Música

Junodream – Odd Behaviour (Single)

Próximo ao lançamento oficial do EP Terrible Things That Could Happen (leia aqui), cuja tracklist é de três canções somente, conhecemos “Odd Behaviour”, a segunda parte desse trabalho.

Nostalgia é o que mais evoca o som do Junodream, que tira inspiração das bandas tristes que potencializaram o rock alternativo dos anos noventa. As guitarras praticamente choram ao acompanharem os lamentos do vocalista.

Uma ótima banda para ficar de olho nos próximos anos.

Direto do Forno · Música

Azymuth – Juntos Mais Uma Vez (Demo)

Advindos de uma época frutífera da música brasileira, o grupo carioca Azymuth prepara um material digno de colecionador para o próximo mês: um compilado de demos gravadas no período em que a banda engatinhava seu primeiro álbum, lá no início dos anos setenta.

O disco duplo intitulado Demos (1973-75) Volumes 1&2 resgata dezesseis canções gravadas em sessões caseiras, ou seja, que não foram trabalhadas em estúdio. Como aperitivo, você pode ouvir a faixa “Juntos Mais Uma Vez”, a única disponível até então para audição. Trata-se de um samba jazz instrumental que escancara o talento de altíssimo nível dos integrantes do trio.

Não vem ao caso o fato do Azymuth ser mais reconhecido no exterior do que em seu país natal, afinal, é comum aqui no Brasil enaltecer o estrangeiro e desvalorizar o que é conterrâneo.

A Far Out Recordings é a gravadora encarregada pela distribuição do disco, que chega por completo no último dia de maio deste ano.

Diversos · Garimpo

Garimpo: Jack Kerouac no Steve Allen Show (1959)

Não é a praia do blog, eu sei, mas Jack Kerouac é o meu escritor favorito e essa pérola que encontrei merece um espaço por aqui.

Em 1959, Jack foi convidado do Steve Allen Show, um talk show da época. É interessante ver o escritor em seu estado natural, tímido, contido, diferente daquele que encantou o mundo em livros como On The Road ou Big Sur, sempre alucinado, empolgante, sob efeito de álcool e afins.

São quase quatro minutos mágicos em que vemos Jack Kerouac proclamando versos do final de sua obra-prima, On The Road, acompanhado pelo apresentador que toca um blues em seu piano, encaixando de forma perfeita com a leitura.

Bom final de semana.

Direto do Forno · Música

The Raconteurs – Hey Gyp [Dig The Slowness] (Donovan Cover)

Enquanto Help Us Stranger, o próximo disco do The Raconteurs, não dá as caras, vamos o degustando aos poucos com as três canções já lançadas de forma oficial. A última delas, para ser mais exato, foi disponibilizada hoje e trata-se de um cover.

Jack White e seus parceiros de banda fizeram uma ótima releitura de “Hey Gyp (Dig The Slowness)”, do Donovan, e colocarei ambas abaixo para você fazer seu comparativo. Mas já adianto: o ideal é manter as duas nas suas audições, porque são bastante contagiantes.

Se a original, lá de 1965, embala o ouvinte com seu violão imparável, os Raconteurs agradam por trazer uma explosão de guitarras blues em cima da melodia matriz.

Somente em 21 de junho conheceremos o disco cheio. Ouça “Sunday Driver” e “Now That You’re Gone”, os dois singles anteriores, aqui.

Direto do Forno · Música

Jeff Tweedy – Family Ghost (Single)

Vulnerável. Assim descrevo Jeff Tweedy em seus últimos trabalhos. Em Warm, disco lançado ano passado, ele não poupou versos que expunham seus fantasmas internos. Pouco menos de cinco meses depois, Warmer chegará às lojas como forma de complemento do seu antecessor, afinal, suas dez canções foram gravadas, ao que parece, nas mesmas sessões.

“Family Ghost”, seu primeiro fragmento liberado ao público, mantém o poder da vulnerabilidade do artista. Nesse caso, a desilusão. Ele tinha muita coisa guardada em si.

Nos primeiros acordes do violão, percebi lapsos do Being There, disco-duplo do Wilco lançado em 1996. Mas Tweedy não é mais aquele cara de duas décadas atrás. Está mais maduro, confiante e ácido. Na mesma safra de Nick Cave, Chino Moreno e Anton Newcombe (como mencionei aqui): o passar dos anos o fez muito bem.

Warmer será lançado por completo em 13 de abril, no Record Store Day, pela dBpm Records.

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Wagner Almeida – O Cão e a Raposa (Single)

Da capa desesperadora, obra da artista Lola Camicasca, ao som doce e melancólico que acrescenta pitadas de math rock ao trabalho cru e caseiro, Wagner Almeida lança “O Cão e a Raposa”, o primeiro single de seu novo disco, previsto para sair do forno em maio.

O nome da canção busca referência na animação de mesmo nome, lançada em 1981 pela Disney. Assim como o filme retrata uma amizade que se transforma em desarmonia, Wagner assimila essa premissa à dificuldade em satisfazer as expectativas dos pais, muitas vezes esperançosos por um futuro melhor aos filhos, porém, sob sua própria visão de mundo, sem levar em consideração a vontade dos mesmos.

“Rock triste” foi o termo usado por alguns veículos para se referirem à cena mineira que surgiu há alguns anos, e apesar do mau gosto na definição, não há como deixar de associar esse tempero à música de Wagner Almeida.

Bela canção.

“Voltei dessa vez só .
Pensar de mais dói .
Alegrar os seus pais ,
Alegrar seus pais .

Nós somos tão iguais “