Música

Dark Knights: Metal – Trilha Sonora

Descobri por acaso que a DC Comics está lançando, aos poucos, músicas que servirão como trilha sonora para a série de QUADRINHOS Dark Knights: Metal.

Confesso que é a primeira vez que vejo uma trilha sonora ser lançadas para histórias em quadrinhos, e achei a ideia muito legal, ainda mais que as canções contam com nomes de peso nas suas execuções, como Chino Moreno, líder do Deftones, e Brann Dailor, do Mastodon.

Até o momento, três músicas foram disponibilizadas e deixo os links abaixo para audição. As duas primeiras são MUITO BOAS, mas a terceira me soou bastante genérica.

Há rumores de que um possível álbum possa ser lançado com o restante das canções, mas nada confirmado ainda. Só nos resta aguardar.

 

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Música · Textos

Êxtase

Não me lembro a data certa, mas sei que era uma sexta à noite, por volta das 23 horas. Estávamos voltando para casa, eu e Denise, ouvindo um daqueles programas flashback no rádio. Começou a tocar uma canção desconhecida. Estávamos em silêncio, e o rádio, bem baixo. Mesmo assim, deu para ouvir os primeiros segundos da música e me pareceu bem interessante. Eu conhecia aquela voz. Aumentei o volume para identificar e saquei na hora: era Guilherme Arantes. Meu pai era muito fã dele.

Aumentei um pouco mais para ouvi-la melhor. Os versos agora estavam mais claros. Era uma canção de amor. Muito bonita, por sinal. Bem escrita, frases e rimas bem construídas, uma sonoridade diferente do que costumo ouvir. Parece que foi feita especialmente para aquele momento.

Gravei um dos versos na memória para procurar seu nome na internet quando chegasse em casa. Era “eu nem sonhava te amar desse jeito”, que se repetia várias vezes ao final da música. Só reforçou ainda mais o sentimento de que a canção foi feita realmente para a situação em que estávamos passando ali, naquele trajeto. Descobri seu nome. “Êxtase”.

Ir do centro até nossa casa leva cerca de dez minutos. Se não me falha a memória, foram dez minutos de silêncio. A canção, que tem pouco mais de cinco de duração, levou a metade do tempo. O restante foi tomado pelo êxtase.

Êxtase esse que nunca mais passou. Nunca mais esqueci aquela música, e nunca me esquecerei daquele momento.

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Indico #19: Mais um aniversário

“Passeando” pelo Instagram, vi um post do Mr. Tom Morello sobre o aniversário de lançamento de “Out of Exile”, segundo disco de estúdio do Audioslave. Trabalho esse que possui canções icônicas da banda, como ‘Be Yourself” e a minha favorita de todas, “Doesn’t Remind Me”.

Particularmente, depois da super estréia com o disco auto-intitulado, em 2002, eles jamais alcançaram o mesmo nível de criatividade. Porém, é importante ressaltar como essa junção de 4 artistas de peso resultou em uma das bandas mais interessantes deste século.

De lá para cá, muita coisa mudou. Tom Morello agora é membro da banda Prophets of Rage, junto com Tim Commerford e Brad Wilk, respectivamente, baixista e baterista do Audioslave. E Chris Cornell… Bem, todos sabemos que fim trágico o cantor levou.

Porém, não é hora para lamentações. Não mais. Hoje é dia apenas de celebrar o aniversário desse bom trabalho.

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Indico #18: O mundo que se exploda!

Não, não, isso não é revolta. O título é só uma brincadeira.

Há dois dias atrás, “Down On The Upside”, quinto álbum de estúdio do Soundgarden, completou 22 anos. O trabalho é o sucessor do “Superunknown”, o melhor e mais conhecido disco da banda.

“Down On The Upside” é um álbum um tanto quanto irregular, porém, apresentou ótimas canções que se destacariam nas apresentações do grupo. “Blow Up The Outside World” é uma delas, e é a minha favorita.

Fica aqui a minha homenagem.

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Aniversário

10 de maio. Dia da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro. Dia do encerramento das atividades da Rede Manchete. Dia em que Luis XVI tornou-se Rei da França. Dia em que Churchill foi nomeado primeiro-ministro britânico. Dia da primeira publicação do Hulk pela Marvel Comics. Dia de São Damião de Veuster e São João de Ávila. Dia em que, dependendo do ano, é Dia das Mães. Também é dia do nascimento de Diego Tardelli, um dos ícones da atual fase vencedora do Atlético Mineiro, nosso Galão da Massa, e que nos trouxe a tão sonhada Taça da Libertadores, bem como de Jair Bala, ídolo do nosso rival América Mineiro. Também nasceram nesse dia: Bono Vox, Dennis Bergkamp, Sid Vicious, Vanderlei Luxemburgo… E eu.

Meus aniversários quase nunca passaram em branco. Nos primeiros anos de vida, foram as festinhas na escola. Na infância, em casa mesmo, só com os amigos da rua. Na adolescência em diante, fui perdendo o ânimo para comemorar. Não que eu tenha me tornado o “chato que nunca comemora nada”, mas perdi a graça. Mesmo assim, era lembrado. A reunião passou a ser mais reclusa: eu, minha mãe e meu pai. Um bolo, alguns salgadinhos e bebidas. Depois de um tempo, só eu e minha mãe.

Quando mudei para LEM, era sempre na casa da minha tia. Mais recentemente, depois que conheci Denise, sempre teve algo diferente. Tive minha primeira festa surpresa, depois tive mais uma. Por último, ganhei um bolo do LULA que, incrivelmente, estava delicioso. O próximo, agora, será o primeiro sem minha mãe.

Por esse motivo, me identifico bastante com a noção de “aniversário” que Damon Albarn retrata na canção “Birthday”, presente no disco de estréia do Blur, o “Leisure”, lançado em 1991. Uma espécie de desânimo total em relação à data que, conforme a letra, nada mais é do que um “dia patético”. Pode até ser que seja, mas a tradição de tornar marcante o dia em que nascemos nos faz, mesmo que inconscientemente, esperar algo de diferente, que não aconteceria em um dia comum.

Porém, eu, que não seria nada sem meus infindáveis questionamentos, pergunto: por que não tornar os dias comuns tão interessantes quanto os nossos aniversários? Isso me remete à fantasia dos tempos de fim de ano, carnaval e outras datas, em que fazemos de tudo para aproveitar melhor o dia, as pessoas, mas que, quando acaba, tudo volta ao marasmo da nossa rotina. Pergunto isso porque, assim como muitas pessoas, também só fico no questionamento. Sem ação.

Mas por acaso ou por esforço nosso, alguns dias comuns se parecem com um aniversário, e tem alguns aniversários que mais parecem um dia comum. Mas também tem aqueles aniversários que REALMENTE se parecem com um aniversário, e dias comuns que nada mais são do que dias comuns. Tudo depende… Da gente.

Para hoje, dia 10, meu aniversário, considerando somente trechos da canção citada, a que mais se assemelha com o que sinto agora seria: “I-think-of-you Day” (Dia de pensar em você).

“It’s my birthday.
No one here day.
Very strange day.
I-think-of-you day.

Go outside day.
Sit in park day.
Watch the sky day.
What a pathetic day.

I don’t like this day,
It makes me feel too small.

I don’t like these days,
They make me feel too small.”

Música

Guns N’ Roses – Shadow Of Your Love

Descobri recentemente que o Guns ‘N’ Roses anunciou uma edição comemorativa dos 30 anos de “Appetite For Destruction”, disco de estréia do grupo, recheado de hits como “Paradise City”, “Welcome To The Jungle” e “Sweet Child O’Mine”, e com outras canções bem interessantes, como “It’s So Easy” e “Mr. Brownstone”.

Entitulada “Locked ‘N’ Loaded”, essa edição nada mais é do que uma caixa repleta de materiais da banda, com CD’s, LP’s, fotos, canções inéditas e até flyers de shows da época. Enfim, um prato cheio para os fãs do quinteto.

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Inclusive, uma dessas canções já foi disponibilizada para audição. Trata-se de “Shadow of Your Love”, música que não foi escolhida para ser parte do “Appetite For Destruction” na época. Uma típica canção de hard rock, furiosa e veloz, com Axl Rose no auge de sua tão famosa voz.

Não sou um entusiasta da banda, principalmente por causa do endeusamento exagerado por parte de crítica e fãs. Porém, achei bem interessante esse material, ainda sem data de lançamento.

 

Música

Alice In Chains – The One You Know

Acaba de sair do forno o primeiro aperitivo para o próximo álbum do Alice in Chains, ainda sem nome e sem data de lançamento.

O título da canção é “The One You Know” e apresenta a banda ainda em altíssimo nível, com o peso característico dos últimos dois discos. O videoclipe, igualmente interessante, alterna entre fragmentos microscópicos, um personagem bem misterioso e a banda executando a música, com uma imagem bem avermelhada, feito uma sala de revelação de fotos.

Fico muito feliz em ver que Jerry Cantrell e sua equipe superaram a perda de Layne Staley e continuaram a produzir discos muito interessantes, e como a entrada de William DuVall se encaixou perfeitamente na proposta da banda.

“The One You Know” já está disponível nas plataformas digitais.

Cinco anos depois de “The Devil Put Dinosaurs Here”, o novo trabalho promete.

 

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Indico #17: Fã Número 1

Já falei sobre o Majesty Crush aqui e postei a tradução que fiz de um artigo sobre a trágica morte do ex-vocalista da banda aqui.

Hoje quero apenas indicar minha canção favorita do disco que eles lançaram e, quem sabe, ampliar um pouco mais o interesse do público por essa banda tão interessante, mas que caiu no limbo da cultura pop graças a uma série de complicações que envolveram o seu curto trajeto (1990-1995).

“No. 1 Fan” é a terceira faixa de Love 15, lançado em 1993. Ela inicia com um baixo bem empolgante até os vocais sussurrados de David Stroughter começarem a se entrelaçar nas guitarras cortantes que predominam na canção.

Apesar de não ter nenhuma letra disponível na internet, sabe-se que “No. 1 Fan” tem como tema um fã obcecado pela atriz Jodie Foster, capaz de chegar ao ponto de “matar o presidente” por ela. Os gritos de “I’d kill the president!” no final da música são o ápice de seus 3 minutos e 47 segundos de duração. Sem dúvidas, um dos pontos mais altos do disco inteiro.

Música · Textos

Uma coisa chamada exilado

(Texto que estava na gaveta há muito tempo e que, finalmente, resolvi terminar. Foi publicado no blog da Immagine na última sexta-feira. Link aqui.)

“E assim foi o ano de 1970: o Brasil virou tricampeão mundial e mesmo sem querer e nem entender direito, eu acabei virando uma coisa chamada exilado. Eu acho que exilado quer dizer ter um pai tão atrasado, mas tão atrasado, que nunca mais volta pra casa.”

Essa é a última fala de Mauro, personagem principal do filme “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”, dirigido por Cao Hamburger e lançado em 2007. O filme se passa na época do regime militar e conta a história de um menino apaixonado por futebol que é levado para a casa do avô em São Paulo, enquanto seus pais “saem de férias” por tempo indeterminado. Boa parte do filme mostra o choque de realidade de Mauro que tenta, aos poucos, aceitar e seguir em frente com a sua nova vida, se adaptando à nova cidade e às pessoas que passam a fazer parte de seu cotidiano, ao mesmo tempo em que busca respostas para o paradeiro de seus pais.

46 anos antes (e no mundo real), um artista brasileiro, que se encontrava praticamente na mesma situação do garoto Mauro, lançava o seu trabalho de maior destaque. “Transa”, de Caetano Veloso, tornou-se um marco na história da música nacional, atravessando barreiras tanto de idiomas quanto de musicalidade, expondo uma pessoa que sofria para buscar a sua identidade, ao mesmo tempo em que aceitava a sua condição de isolamento em relação à sua terra natal.

O “Caetano Exilado” já havia lançado um belo álbum autointitulado em 1971, marcado, principalmente, por canções calmas e melancólicas, que apontavam claramente para as feridas deixadas pela saudade do Brasil. Um ano depois, em “Transa”, o artista já estava mais maduro e, segundo o próprio, já começava a gostar de Londres e descobrir o que de melhor a capital inglesa poderia oferecer. Em seus passeios por Portobello Road, por exemplo, conheceu o reggae jamaicano e dessa experiência saiu a canção “Nine Out of Ten”, considerada a “entrada oficial” do reggae na música popular brasileira.

“I’m alive, vivo, muito vivo, vivo, vivo,
Feel the sound of music banging in my belly, belly, belly.
Know that one day I must die,
I’m alive.”

Gravado praticamente ao vivo e com apenas 7 faixas, o álbum traz uma forte mistura de idiomas e ritmos, indo do baião ao rock ‘n’ roll clássico, da poesia barroca brasileira ao inglês com sotaque nordestino, sem perder a elegância e a sutileza.

Prova maior disso é “Triste Bahia”, canção mais longa do disco. Caetano a inicia declamando versos do poeta Gregório de Matos, acompanhado por um dedilhado de violão “à la bossa nova” e, ao fundo, a percussão vai se incorporando até tomar conta de vez da canção, em uma crescente alucinante ao torno dos 9 minutos de duração. O casamento quase perfeito entre a música brasileira com ritmos africanos.

“Triste Bahia, oh, quão dessemelhante!
A ti tocou-te a máquina mercante.
Quem tua larga barra tem entrado,
A mim vem me trocando e tem trocado.
Tanto negócio e tanto negociante…”

Outras canções também se destacam no decorrer do trabalho, como a bela “Mora Na Filosofia” e a bilíngüe “It’s A Long Way”, ambas com arranjos muito bem estruturados que conseguem transitar facilmente entre a cultura pop e o experimentalismo natural das obras de Caetano Veloso.

“Se seu corpo ficasse marcado
Por lábios ou mãos carinhosas
Eu saberia, ora vai mulher,
A quantos você pertencia.
Não vou me preocupar em ver,
Seu caso não é de ver pra crer.
Ta na cara!”

 “Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou.
Ele agora está mais firme
Do que quando começou.” 

 Em entrevista ao portal “Gaúcha ZH”, Caetano afirma que havia a possibilidade de sua carreira decolar na terra da rainha, mas que não pensou duas vezes em voltar ao Brasil no instante em que teve a chance. O que parecia uma loucura, acabou tornando-se uma decisão acertada e toda a história dos bastidores só engrandece ainda mais a importância de “Transa” em sua vida.

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Indico #16: 29 anos de “Doolittle”

Coincidência ou não, a seção Indico de hoje é novamente para comemorar o aniversário de mais um clássico dos Pixies. Se há quase 1 mês atrás comemoramos os 30 anos do “Surfer Rosa”, hoje, dia 17 de abril de 2018, seu sucessor “Doolittle” comemora 29 anos de lançamento.

Mantendo a mesma ideia surrealista do “Surfer Rosa”, porém, com uma sonoridade um pouco mais acessível ao grande público, “Doolittle” foi um passo adiante dado pelo Pixies para que eles atingissem o posto de banda referência à geração do final dos anos 80/início dos anos 90.

Do início arrasador com “Debaser” e “Tame”, passando pelas queridinhas “Here Comes Your Man” e “La La Love You”, a viagem sonora em “No. 13 Baby” e o final estrondoso de “Gouge Away”, não é por acaso que o álbum está sempre nas listas de mais importantes de todos os tempos.

Na minha opinião, eles ainda conseguiriam ir mais além com “Bossanova”, em 1990, mas isso é assunto para outro aniversário.