Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Too Many Chiefs (Vídeo)

A história da canção “Too Many Chiefs” é interessante. Originalmente, foi escrita para o primeiro disco solo de Brant Bjork, “Jalamanta” (1999), um dos clássicos do desert rock, intitulada “Too Many Chiefs… Not Enough Indians”. Em 2007, a mesma ganhou uma releitura no disco “Tres Dias”, apenas como “Too Many Chiefs”, dessa vez em formato acústico.

O selo Heavy Psych Sounds Records, que adquiriu boa parte da discografia de Bjork, disparou em seu canal no Youtube um vídeo oficial para a canção, que apresenta o artista munido somente de um violão, executando-a em um cenário bem calmo. Esse vídeo tem o intuito de divulgar o disco “Tres Dias”, que agora está disponível em versões exclusivas e limitadas de vinil colorido na loja do próprio selo.

Sobre a música em si, Brant Bjork explana:

“‘Chiefs’, como eu a abrevio, é uma das primeiras músicas que escrevi para aquele que seria meu primeiro disco solo, Jalamanta. Ela viaja comigo por quase 20 anos e agora é como um velho amigo. É uma canção bem pessoal sobre crescer no deserto e ter aquelas experiências diárias de viver em uma cidade pequena, desesperadamente tentando achar alguém para se relacionar. Tentando achar algo autêntico, algo real. Os sentimentos de ser um excluído e usar a sua frustração para abastecer os seus sonhos por algo mais espiritual do que material. O título “Muitos chefes… Poucos Índios” (tradução do título da música) é sobre a obsessão da América por “vencedores”, autoridade e falsos profetas. Sem os índios, os chefes não existiriam.”

Recentemente, Brant Bjork lançou um novo disco, “Mankind Woman”. Escrevi sobre ele aqui.

Direto do Forno · Música

O novo do The Smashing Pumpkins – Shiny and Oh So Bright Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Ouvi o novo disco dos Pumpkins sem pretensão alguma, e essa ausência de expectativa tornou a audição mais leve e permitiu-me concluir: “Shiny and Oh So Bright Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.” é um disco muito bom.

Os dois singles, “Silvery Sometimes (Ghosts)” e “Solara”, são os principais fragmentos do velho Smashing Pumpkins. O primeiro, já na transição que começou no “Adore” (1998), e o segundo ainda na velha fórmula mais raivosa e pesada que ouvimos no “Mellon Collie…” (1995). Teclados são os fios condutores de canções como “Knights of Malta”, “Travels” e “Alienation”, influências claras dos anos oitenta.

“Oceania” (2012) e “Monuments to an Elegy” (2014) foram bons discos, mas irregulares. “Shiny and Oh So Bright…” parece mais maduro, com um caminho a ser direcionado. E não, não creio que as entradas de James Iha e Jimmy Chamberlin sejam responsáveis por isso. A presença deles acrescenta muita qualidade para o trabalho, mas penso que o próprio Corgan é quem está mais decidido sobre os rumos que o grupo tomará daqui em diante.

Li um artigo no Monkeybuzz questionando se a banda ainda é relevante para a música. Faz sentido pensar que não, com toda a mudança no cenário musical, principalmente se for levado em conta o auge do grupo, na longínqua década de 90 com a atualidade, em meio a hiatos, novas formações, tensões entre ex-membros e mudanças na sonoridade. O “consumidor” (que palavra feia) de música mudou, o jeito de ouvi-la também. Billy Corgan parece ter entendido isso nesse novo disco. Pelo jeito, somente as viúvas/viúvos do “Siamese Dream” ainda não. Só lamento por eles.

1. Knights Of Malta
2. Silvery Sometimes (Ghosts)
3. Travels
4. Solara
5. Alienation
6. Marchin’ On
7. With Sympathy
8. Seek And You Shall Destroy

Direto do Forno · Música

O novo do Jeff Tweedy: Warm

Jeff Tweedy resolveu voltar às suas raízes em “Warm”, seu segundo disco solo, mas o primeiro totalmente autoral. Aqui, as onze canções foram feitas especialmente para o disco. Vale frisar que “Together At Last”, o antecessor, contou somente com releituras de antigos projetos.

É um disco recheado de melodias pop e cravado no folk rock e no chamado alternative country, referências de Tweedy que vêm de sua antiga banda, o Uncle Tupelo. “Warm” possui um tom mais pessoal e intimista, com passagens acústicas e vocais mais sussurrados. Em alguns pontos, como no single “Some Birds”, as guitarras assumem o protagonismo em arpejos e solos, mas nada que ultrapasse a barreira da serenidade.

Mas tal serenidade é percebida apenas no instrumental do disco. Afinal, as letras de Tweedy são observações do artista a respeito de momentos delicados de sua vida, como o período de reabilitação (“Bombs Above”), um aviso ao seu filho sobre seu problema com drogas (“Don’t Forget”), sua dúvida sobre a empatia, palavra que ficou tão famosa nos últimos anos (“I Know What It’s Like), e vida após a morte (“How Will I Find You?”).

Mesmo mantendo as atividades com o Wilco e depois de se aventurar em um projeto com seu filho, Jeff Tweedy tem pique para iniciar uma carreira solo que, ao meu ver, poderia ter sido tomada antes. O artista sempre demonstrou ter habilidade com as palavras e com o violão/guitarra. Era questão de tempo seu talento necessitar novos horizontes.

1. Bombs Above
2. Some Birds
3. Don’t Forget
4. How Hard It Is For a Desert to Die
5. Let’s Go Rain
6. From Far Away
7. I Know What It’s Like
8. Having Been Is No Way To Be
9. The Red Brick
10. Warm (When The Sun Has Died)
11. How Will I Find You?

Direto do Forno · Música

Dieklute – Planet Fear (Álbum)

Dino Cazares, guitarrista do Fear Factory e vários outros projetos, está com um novo trabalho chegando, o Dieklute. Acompanhado de mais duas figuras, Jürgen Engler (Die Krupps) e Claus Larsen (Leæther Strip), o grupo lançará o seu disco de estreia, intitulado “Planet Fear”, no primeiro dia de fevereiro de 2019, via Cleopatra Records.

A decepção fica pelo fato da banda não ter disponibilizado nenhuma faixa para ouvirmos. Somente a capa do disco, o nome e o nome das canções foi divulgado.

Em seu canal no Youtube, Dino Cazares postou um vídeo dos bastidores do videoclipe de uma das músicas, “All In Vain”. Dá para ter uma ideia de como será o som do conjunto: bastante pesado.

Além das canções originais, o disco conterá também um cover de “She Watch Channel Zero?!”, do Public Enemy. Você já pode garantir o seu pelo Bandcamp da banda.

1. If I Die
2. Out of Control
3. The Hangman
4. Rich Kid Loser
5. For Nothing
6. Human Error
7. It’s All in Vain
8. Born for a Cause
9. Infectious
10. Push the Limit
11. She Watch Channel Zero?! (Public Enemy Cover)
12. Mofo

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: The Spinanes – Manos (Relançamento)

O duo The Spinanes pode até não ter estourado durante seus anos de atividade, mas ganhou um status cult que mantém viva a sua memória. Formado pela vocalista e guitarrista Rebecca Gates e pelo baterista Scott Plouf, lançou três discos pela Sub Pop nos anos noventa e só. Um deles, “Manos”, foi lançado em 1993 e até fez certo barulho nas rádios americanas e na MTV, mas nada gigante se compararmos com outras bandas da época. 25 anos depois, a Merge Records relançou o disco, remasterizado e com algumas faixas bônus.

O extingo blog Amor Louco Br (falo sobre ele aqui) também foi o responsável por me apresentar a banda, justamente com o “Manos”. Curti na primeira audição. Uma produção simples e garageira, com muita emoção por trás. É a música em seu estado mais natural. “Spitfire” e “Shellburn”, ambas com linhas de bateria muito interessantes, são as minhas favoritas até hoje. Ouça-o na íntegra abaixo.

Uma curiosidade: você pode ouvir os backing vocals de Rebecca Gates na canção “St. Ides Heaven”, de Elliott Smith.

Direto do Forno · Música

Outgrown (Part I) – Endless Dive (Single)

Vem do município belga de Tournai uma interessante banda de post-rock: Endless Dive. Os conheci no Youtube, em um canal voltado especificamente para discos do estilo. Na época, eles só haviam lançado um belo EP homônimo, datado de 2016. Porém, no próximo ano, a banda lançará seu primeiro disco cheio.

Intitulado como “Falltime”, a previsão para a chegada desse trabalho é o dia 21 de janeiro, pela também belga Luik Records. Ele contará com 10 faixas, sendo que uma já foi liberada como single.

“Outgrown (Part I)” é de uma delicadeza emocionante, porém seu final inesperado deixa-a vaga, muito por se tratar de uma canção de duas partes. Sua continuação certamente se dará na parte II.

Direto do Forno · Música

O novo do Brant Bjork: Mankind Woman

Se John Garcia, um dos pilares do stoner/desert rock, anunciou um novo disco para 2019 (confira aqui), e Josh Homme atingiu uma popularidade enorme com o Queens of  the Stone Age, outra figura marcante do estilo deu as caras esse ano com um álbum repleto de influências e viagens sonoras.

Falo de Brant Bjork, ex-baterista do Kyuss e responsável por uma prolífica e elogiada carreira solo. “Mankind Woman” é o nome de seu trabalho mais recente, que chegou à Terra pela Heavy Psych Sounds Records no dia 14 de setembro. O nome da gravadora tem tudo a ver com o som produzido no disco: uma pesada e psicodélica viagem sonora.

Ao contrário dos seus ex-companheiros (e da maioria das bandas da cena), Bjork adota uma sonoridade mais influenciada pelo hard rock dos início dos anos 70 e do funk, mesclando riffs pesados com um groove à la Funkadelic. Dessa forma, ele atinge não só os admiradores que curtem um som mais “porrada”, mas também aqueles que curtem canções mais lisérgicas.

A faixa que abre o disco, “Chocolatize”, segue bem nessa linha de peso com psicodelia, ainda mais com um videoclipe bastante viajado.

Essa mistura também rende outras canções muito boas, como “Pisces”, a minha preferida, “Swagger & Sway” e a faixa-título. A maior parte das linhas de guitarra do disco são conduzidas pelo wah-wah, garantindo um funk de primeira, como a instrumental “Somebody”, talvez a mais viajada de todo o álbum.

No release do disco, presente no site oficial do artista, o termo “D-Funk”, algo como desert funk, é usado como uma das possíveis classificações de “Mankind Woman”. Ao ouvi-lo algumas vezes, afirmo que essa definição é certeira. Pegue um power trio furioso setentista e acrescente uma guitarra extra do Michael Hampton. É dessa fonte que surge o novo trabalho de Brant Bjork.

1. Chocolatize
2. Lazy Wizards
3. Pisces
4. Charlie Gin
5. Mankind Woman
6. Swagger And Sway
7. Somebody
8. Pretty Hairy
9. Brand New Old Times
10. 1968
11. Nation Of Indica

Direto do Forno · Música

Criminal Hygiene – Greetings From A Postcard (Single)

Sai do forno o mais novo single da banda estadunidense Criminal Hygiene: “Greetings From A Postcard”.

Deixando de lado a veia mais acelerada do punk, a nova canção possui dedilhados acústicos e guitarras mais limpas, assimilando-se às bandas de pop rock que surgiram no final dos anos 90/início dos anos 2000. O que não muda é o tom da voz do vocalista, muito parecido com Billy Joe Armstrong, do Green Day.

Diferente do single anterior, a nova faixa é melhor trabalhada e deve atingir um público “maior”.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – My Future In Barcelona (Single)

Quase todo lançamento do Guided By Voices me impressiona. Provavelmente, a nova canção ou disco seguirá na mesma linha dos anteriores, mas a empolgação de Robert Pollard, que mantém o grupo vivo depois de várias décadas, é contagiante. Sem falar na sua (aparente) interminável criatividade, afinal, não é todo artista que chega a lançar até 3 discos por ano (ou  mais!).

‘My Future In Barcelona” é o novo single de “Zeppelin Over China”, disco que chega às lojas em primeiro de fevereiro do ano que vem. A sonoridade segue o padrão da banda: um rock’n’roll de baixa produção, com bastante guitarra ao fundo e um quê pop marcante.

Vale lembrar que o conjunto acabou de lançar dois EP’s na última semana, que adiantam um disco posterior ao que acabo de falar sobre. “Warp and Woof” ganhará vida em abril de 2019. Leia aqui um curioso fato sobre esse lançamento.

O single título desse texto você confere abaixo, via Youtube ou Bandcamp, qual o leitor preferir. Sobre os dois EP’s, escreverei sobre eles logo.

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The Lemonheads – Old Man Blank (The Bevis Frond Cover)

Acho necessário ressaltar (novamente) essa informação aqui e no título do texto: “Varshons II”, o futuro novo álbum dos Lemonheads, será inteiramente de covers. Dito isso, confira abaixo a versão da banda para “Old Man Blank”, canção original do Bevis Frond, um obscuro grupo inglês que está na estrada há mais de três décadas.

“Old Man Blank” é a segunda faixa já disponibilizada desse novo trabalho e chega às lojas em 08 de fevereiro do próximo ano pela Fire Records. Sobre a versão, é bem mais polida do que a original e mantém a forte veia pop que corre em Evan Dando, com melodias bem agradáveis. Caso o leitor fique curioso, confira também a original do Bevis Frond.