Música

O Riff Mais Ameaçador da História

Peguei o título de um comentário no Youtube sobre a música “History of Bad Men”,  do Melvins, e que explana bem o que quer dizer. Seu início parece estar introduzindo uma tempestade, um desastre da natureza, a chegada de um monstro gigantesco ou qualquer catástrofe digna de cinema.

Curioso é que esse riff (ou um bem parecido) também pode ser ouvido em mais duas músicas, uma inclusive é do próprio Melvins e lançada anos antes de “History of Bad Men”.

“Night Goat” saiu em “Houdini”, disco dos caras lançado em 1993, enquanto “History…” está em “(A) Senile Animal”, de 2006.

A terceira faixa é “Filth Pig”, do Ministry, lançada no disco de mesmo nome em 1996.

Ou seja, em ordem cronológica, o caos (no bom sentido) começou com “Night Goat”, um tempo depois, o Ministry usou o mesmo riff (sem problema algum) e, ao seu modo, o transformou em “Filth Pig”, e o próprio Melvins, anos mais tarde, o deixou ainda mais apavorante com “History of Bad Men”.

Então, pode ser no modelo do Melvins ou do Ministry, cujas sonoridades são bem diferentes (apesar de uma semelhança aqui e outra ali), esse petardo sonoro caiu muito bem e resultou em músicas sensacionais.

 

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Electric Octopus – Pipe Dream Train

A princípio, pensei que fosse um EP, até olhar a duração das músicas. “Pipe Dream Train” começa com “Kachina”, com quase dezoito minutos de duração, e encerra com “Rising Vibrations”, com trinta e dois.

Sim, duas músicas apenas e um disco com quase uma hora de pura viagem. Aliás, assim eu definiria esse disco: pura viagem.

Ora distorcido, com uma pitada de funky e cheio de wah-wah, ora mais limpo e bluesy, alternando em picos mais velozes e outros mais relaxantes, é um disco para ouvir com atenção, concentrado em todos os seus elementos.

“Pipe Dream Train” foi lançado na última quinta-feira, dia 13.

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Do Forno: + Satan’s Pilgrims!

O relançamento do primeiro disco de estúdio parece ter ativado os ânimos (e a inspiração) dos caras do Satan’s Pilgrims. Em menos de trinta dias, dois singles bem animados foram liberados via BandCamp.

Cada um contém duas músicas que seguem o estilo da banda: muita guitarra, muita distorção e baixo e bateria alucinados.

O primeiro, “Splashdown b​/​w Dr. Mortis Single”, saiu dia 18 de agosto e traz duas canções que estrearam no The Asbury Park Surf Music Festival, festival que aconteceu em Nova Jersey, totalmente voltado para a surf music.

Satan’s Pilgrims – Splashdown b​/​w Dr. Mortis Single

Já “Taco Truck​\​Neahkahnie” foi disponibilizado no último dia 14 e possui um contraste bem interessante: “Taco Truck” mantém a rapidez característica, enquanto “Neakahnie” desacelera e mantém um clima mais viajante.

Satan’s Pilgrims – Taco Truck​\​Neahkahnie Single

+Filmes

+1 Filme (Ou Seria +1 Livro?): Drive

(O link original para o Blog da Immagine está aqui.)

Uma das melhores e mais rápidas leituras que fiz esse ano, “Drive”, de James Sallis, é um prato cheio para amantes de histórias sobre crimes, ambientes sujos, personagens enigmáticos e carros, muitos carros. O Piloto, personagem principal cujo nome nunca é revelado, é o centro da história.

Ele, que costuma dizer que “apenas dirige”, é o melhor no que faz. Durante o dia, trabalha como dublê de filmes. À noite, faz serviços fora da lei. E ele deixa bem claro que sua única função é conduzir o veículo até o local, esperar o ato e fugir dali. Só que tudo desanda quando um dos assaltos não ocorre como esperado e, a partir daí, a trama gira em torno do Piloto tentando salvar a sua própria vida.

Seguindo uma linha do tempo não-linear, a estrutura pode deixar o desenrolar dos acontecimentos meio confuso a princípio, sendo necessário retornar algumas páginas em certos momentos para compreender melhor em qual parte do tempo determinado capítulo está. Porém, isso não atrapalha o entendimento da história. E alguns deles centram-se em outros personagens, como o Doutor e o vilão, Bernie Gold, o que deixa o livro ainda mais interessante.

O texto possui um vocabulário bem coloquial, cheio de gírias, palavrões e um humor negro bastante refinado. Os locais são bem detalhados, e o leitor, de certa forma, entra no ambiente. E por se tratar de relações entre personagens cujas atitudes são bem questionáveis, o teor de algumas cenas é de bastante violência.

Assim como o livro que falei sobre no último texto, “Drive” também ganhou uma adaptação (bem elogiada e vencedora de prêmios, por sinal) para os cinemas. Ryan Gosling fez o papel do Piloto e, apesar de achá-lo um bom ator, sua atuação não me convenceu e as mudanças da adaptação em relação ao livro me incomodaram. Entretanto, a película é de uma fotografia e direção impecáveis, lembrando muito a estética de filmes noir.

Falando em modo particular, até tento, não consigo desassociar a obra literária da cinematográfica. Logo, o filme não é tão brilhante quanto o livro. Se o leitor consegue fazer tal distinção, os dois serão de todo agrado.

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Lançamentos de Peso

Conforme prometido no texto de ontem, aqui estão alguns lançamentos recentes e futuros que separei para os leitores conhecerem. Talvez com exceção do Joe Strummer, são bandas que não costumam figurar nas grandes mídias, mas que fazem um som digno de se apreciar com o volume bem alto.

1 – Red Fang – Listen To The Sirens (Tubeway Army Cover)

A banda estadunidense de heavy metal/stoner rock disponibilizou no final de agosto um cover de “Listen To The Sirens”, originalmente lançada pelo Tubeway Army, grupo punk/new wave liderado por Gary Numan. As versões até se assemelham, com diferença apenas na sonoridade mais pesada que o Red Fang adotou, trocando os sintetizadores por riffs mais agressivos. Ouça e compare ao seu gosto.

2 – Melvins & Al Cisneros – Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath Cover)

O Melvins é um dos nomes mais fortes quando o assunto é música pesada e, ao meu ver, o grupo ideal para executar uma canção do Black Sabbath à sua maneira, sem perder a pegada da original. Para esse trabalho, eles tiveram a companhia de Al Cisneros, baixista e vocalista do Sleep, outra banda porrada, e gravaram uma versão de “Sabbath Bloody Sabbath”, canção essa que, para mim, é uma das melhores da banda na fase Ozzy.

Aqui, eles desaceleram e aumentam o grave dos riffs, tornando o som ainda mais denso e pesado do que o habitual.

Não há informações (até o momento) de que esse cover fará parte de algum disco da banda e/ou coletânea.

3 – Stoned Jesus – Pilgrims

“Pilgrims” é o nome do novo disco do Stoned Jesus, trio ucraniano de stoner metal e que foi lançado no dia da nossa independência. Canções longas e pesadas com muita psicodelia, típico do chamado desert rock.

É bem difícil encontrar informações sobre a banda em português, mas dá para ouvir o som dos caras tanto no Youtube quanto na página deles no BandCamp. Vale muito a pena.

4 – All Them Witches – ATW

O novo do trabalho do All Them Witches será intitulado “ATW” e sai no dia 28 de setembro. Também como um trio, a banda faz um som pesado de primeira linha. Até o momento, duas faixas estão disponíveis para audição: “Fishbelly 86 Onions” e “Diamond”, ambas passando dos seis minutos de duração e com muita pitada de blues e stoner, uma verdadeira viagem sonora.

5 – Joe Strummer – Joe Strummer 001

Tenho escutado bastante o trabalho do Joe Strummer pós-The Clash, e me surpreendi com a notícia de que um disco póstumo chamado “Joe Strummer 001” está para sair também no dia 28 (mesmo dia do lançamento de ATW). Será repleto de materiais raros e inéditos da carreira do artista, atravessando toda a sua carreira, até mesmo antes do The Clash.

“London Is Burning”, até o momento, é a única faixa liberada para o público e mostra todo o talento de Strummer como compositor e visionário, já que a canção soa bem atual em relação aos acontecimentos recentes não só na Inglaterra, mas em todo o planeta.

 

 

Música

Coisas Demais!

Quando criei o Numa Sexta, há um ano atrás, queria fazer algo diferente do que estava acostumado a ver. Acompanho vários sites/blogs de música, alguns bem interessantes (e originais) e que tento me espelhar, outros nem tanto e que não passam de cópias de sites estrangeiros, e todos seguem um estilo bem parecido: apresentam listas, resenhas, entrevistas, muitas vezes sobre o mesmo conteúdo e poucas colunas, digamos assim, que fogem do padrão.

Nunca foi a intenção do blog tornar um mais do mesmo, mais um a falar sobre o que todo mundo fala. Destinei a coluna “Direto Do Forno” para escrever sobre lançamentos de artistas que me agradam e que acho interessante compartilhar, mas não era de meu agrado tornar esse assunto tão recorrente e lotar os posts somente com isso.

Porém, o mês de setembro está sendo um período com MUITOS lançamentos, principalmente de bandas que gosto e que não são tão populares assim, tornando isso uma ferramente para as pessoas descobrirem novos horizontes dentro da música, nos mais variados estilos.

Estou com um rascunho enorme, compilando esses discos que estão para chegar, e vou postá-lo somente amanhã, para não deixar esse texto muito grande.

Esse foi, de certo modo, um pedido de desculpas pela mesmice. Espero que compreendam, e que não pensem que o autor entrou na zona da conforto.

Obrigado.

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Nem Tão Do Forno Assim: At Home With Satan’s Pilgrims

Uma das bandas de instrumental surf rock mais legais que conheço está relançando o seu disco de estréia.

Originalmente lançado em 1994, “At Home With Satan’s Pilgrims” tem o melhor do surf rock, digno de um filme do Tarantino. Muita guitarra (muita mesmo!), um baixo bem marcante e claro, uma bateria alucinante e incansável, que não para um só segundo, enquanto as guitarras dançam e se envolvem em riffs bem rápidos e agressivos.

O relançamento, previsto para o dia 20 desse mês, traz as opções de CD, vinil e um vinil especial em vermelho, além do formato digital em alta qualidade.

Enquanto escrevo esse texto e ouço as músicas, as pernas não param de balançar, de tão bom que é esse álbum. Vale a pena dar uma conferida não só nele, mas em toda a discografia do conjunto que faz um surf rock retrô de primeira linha.

Música

Heart-Shaped Tracks – A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero

Por minhas leituras diárias no blog do Marcelo Costa, o Scream & Yell, me deparei com um disco-tributo diferente do que estou habituado a ver por aí. O nome do trabalho é “A Soulful Tribute to Nirvana’s In Utero” e traz versões das músicas nos mais diversos estilos, passeando pelo soul, jazz, R&B e chegando até o trip hop.

Na primeira audição, fiquei bem surpreso. O início de “Serve the Servants” já clareou minha mente para o que estava por vir. Com certeza, seria algo bem fora da minha zona de conforto, afinal, sou admirador confesso e profundo do disco, e precisava expandir minhas ideias para compreender essas releituras. Porém, à medida que o disco seguia, ficava mais fácil separar a surpresa/espanto inicial pela compreensão e admiração pelo “novo”. As letras permaneceram, mas se tornaram músicas bem diferentes.

Confesso que algumas não me cativaram nem um pouco, caso de “Dumb” e “Radio Friendly Unit Shifter”, porém, o desagrado é mínimo perante o resultado das versões de “Francis Farmer…”, “Serve The Servants” e “Milk It”, por exemplo, os pontos altos do tributo e que ficaram muito boas em suas novas interpretações. “All Apologies” ganhou um tempero ainda mais dramático do que a original, mais lenta e melancólica, finalizando de forma positiva o disco.

Deixei aqui as minhas impressões, porém, seria interessante ao leitor dar uma olhada na matéria principal, o chamado “faixa a faixa”, detalhando e dissecando música por música, além de um texto introdutório bem esclarecedor sobre o projeto. O link está aqui.

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Do Forno: O novo do Kurt Vile

Anunciado o novo disco de estúdio do cantor e compositor estadunidense Kurt Vile, um dos artistas mais interessantes que surgiram no século 21.

“Bottle It In” está com o lançamento marcado para o dia 12 de outubro desse ano, pela Matador Records. Junto ao anúncio do álbum, o videoclipe da canção “Bassackwards”, uma espécie de psicodelia folk com quase dez minutos de duração, também foi liberado.

Com uma estética bem vintage, contendo alguns glitches e cores desbotadas, o vídeo mostra vários momentos de um grupo de pessoas se divertindo em uma praia. Pela sonoridade e letra da música, é como se o artista revisitasse um passado distante através de registros da época de suas lembranças.

Vale mencionar que Kurt Vile já havia lançado um novo single algumas semanas atrás, “Loading Zones”, porém, não encontrei informações se ele estará presente no novo disco.

Confira abaixo a capa de “Bottle It In” e o videoclipe de “Bassackwards”.

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Do Forno: Thom Yorke – Suspirium

A mídia em peso já deve ter falado ou estar falando sobre o novo lançamento de Thom Yorke, porém, como sou um grande admirador dele e do Radiohead, vou entrar na onda e colocar aqui embaixo o link de “Suspirium”, disponibilizado ontem para audição.

Trata-se de um novo projeto do frontman do Radiohead, o seu primeiro à frente de uma trilha sonora para um filme. “Suspiria”, lançado originalmente em 1977 e dirigido por Dario Argento, ganhará um remake por  Luca Guadagnino, diretor de “Me Chame Pelo Seu Nome” (um dos melhores filmes que vi esse ano).

A música em questão, “Suspirium”, é uma balada bem gostosa de ouvir, levada por um piano e alguns instrumentos de sopro ao fundo, acompanhando os doces versos de Thom durante o seu decorrer.